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Câmara aprova projeto que criminaliza fotografia debaixo das roupas sem permissão

Texto ajusta Lei Carolina Dieckmann para especificar o crime

Brasília|Rute Moraes, do R7, em Brasília

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Câmara aprova projeto que criminaliza fotografia debaixo de roupas sem permissão Valter Campanato/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (4), um projeto de lei que torna crime a prática de fotografar ou registrar imagens por debaixo de saias, vestidos ou fendas sem o consentimento da pessoa, seja em locais públicos ou privados. O texto agora segue para o Senado.

Esse ato é conhecido como upskirting em inglês. Atualmente, o Código Penal prevê que é crime o registro não autorizado da intimidade sexual. O projeto altera trechos da Lei Carolina Dieckmann. A nova proposta especifica que essa prática será considerada crime mesmo que a vítima esteja vestida e que o registro não exponha explicitamente partes íntimas.

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O texto também criminaliza a prática de montagem de fotos, áudios ou vídeos para inserir alguém em cenas de nudez ou atos sexuais.

Inicialmente, o projeto, de autoria do líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), sugeria que todos os celulares fossem configurados para emitir um som similar ao das câmeras analógicas sempre que captassem uma imagem ou vídeo.

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Esse som de disparo deveria ser ativado automaticamente e de forma permanente, sem possibilidade de alteração ou remoção pelo usuário, e a funcionalidade deveria ser instalada antes da venda do aparelho.

No entanto, o relator do projeto na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços, Vitor Lippi (PSDB-SP), decidiu remover esse trecho da proposta. Ele argumentou que, embora os aparelhos que captam imagens e vídeos possam ser usados para obter imagens íntimas sem o consentimento das vítimas, eles também podem ser usados na identificação de autores de crimes sexuais e outros delitos.

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“Imagens de celulares são frequentemente usadas como provas de atos violentos registrados pelas próprias vítimas, por parentes ou por pessoas próximas como testemunhas. Ou seja, a ausência de barulho no obturador de imagem do aparelho é fundamental para que a vítima consiga registrar o criminoso em seu ato de violência.”

O projeto também exige que todos os celulares tenham uma função que permita acionar rapidamente o número de emergência destinado a receber denúncias de violência contra a mulher.

De acordo com um levantamento feito pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o Brasil teve cerca de 5.271 processos judiciais abertos entre janeiro de 2019 e julho de 2022 envolvendo o registro e a divulgação e imagens íntimas sem consentimento. Isso representa uma média de quatro registros por dia. Esse número, no entanto, não reflete a totalidade dos casos, já que os dados se referem apenas às situações que foram denunciadas e levadas à Justiça.

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