Comunidade judaica brasileira evita se manifestar sobre resultado das eleições em Israel
Especialista aponta que a dificuldade de formar maioria no parlamento torna o disfuncional o governo de Benjamin Netanyahu
Brasília|Deborah Hana Cardoso, da RECORD
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A principal entidade representativa da comunidade judaica brasileira, a Confederação Israelita do Brasil (Conib), evitou comentar o resultado das eleições em Israel. Procurada pela reportagem, a instituição não se manifestou sobre o novo cenário político no país. A Embaixada de Israel no Brasil também preferiu não comentar o assunto.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, conhecido como “Bibi”, saiu vitorioso das eleições, mas seu grupo político não conquistou a maioria no Parlamento israelense, o Knesset, o que abre um cenário de incertezas sobre a governabilidade. O resultado reflete um país dividido, em meio à guerra contra o Hamas, que já dura três anos.
O Likud, partido de Netanyahu, conquistou 53 das 120 cadeiras do Parlamento, sete a menos do que o necessário para formar uma maioria.
Já o bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, alcançou 66 cadeiras. A coalizão inclui partidos árabes, responsáveis pela eleição de 17 parlamentares.
Sem maioria legislativa, Netanyahu poderá enfrentar dificuldades para aprovar projetos e manter a estabilidade política de seu governo.
De acordo com Michel Gherman, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a vitória do bloco contrário ao atual primeiro-ministro, o que deve acontecer é um governo temporário.
“A percepção é da formação de um governo temporário, ainda com Netanyahu no poder, até que se resolva essa questão”, disse e completou: “É uma realidade completamente funcional”.
“É um governo, um parlamento de maioria absoluta de oposição e com um primeiro-ministro que discorda de qualquer coisa que esse parlamento faça, e o revés também é verdade”, explicou.
Segundo Gherman, o ineditismo foi o aumento do bloco árabe no parlamento. “Teve um fenômeno nessa eleição que foi um número inédito de parlamentares árabes-palestinos no parlamento”, finalizou.
Guerra
O atual cenário político israelense é influenciado diretamente pela guerra iniciada após os ataques do grupo extremista Hamas em 7 de outubro de 2023. A ofensiva, realizada em território israelense, teve como alvo principalmente civis e deixou mais de mil mortos, além de resultar no sequestro de 251 pessoas.
Em resposta, Israel lançou uma ampla operação militar na Faixa de Gaza. Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 74 mil palestinos morreram desde o início do conflito.
A ofensiva israelense contra o Hamas e grupos aliados, como o Hezbollah, provocou críticas internacionais e reacendeu o debate sobre a chamada “Questão Palestina” e a defesa de uma solução baseada em dois Estados, um israelense e outro palestino.
Relações com o Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está entre os mais críticos à condução da guerra por parte de Israel. Durante uma conferência das Nações Unidas neste ano, integrantes da delegação brasileira deixaram o auditório durante um discurso de Netanyahu em sinal de protesto.
Em 2025, Israel rebaixou suas relações diplomáticas com o Brasil. A medida ocorreu após divergências envolvendo a nomeação do diplomata Gali Dagan para atuar no país.
No mesmo período, o embaixador brasileiro Frederico Meyer foi chamado de volta pelo governo brasileiro.
O cenário de tensão diplomática ajuda a explicar a cautela adotada por entidades ligadas à comunidade judaica no Brasil diante das disputas políticas internas de Israel.
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