Desistência de Cleitinho força Flávio Bolsonaro a redesenhar estratégia em Minas
Senador mineiro afirmou não estar preparado para enfrentar uma campanha eleitoral enquanto vive o luto pela morte do irmão
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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A decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) de desistir da disputa pelo governo de Minas Gerais embaralhou o tabuleiro político no segundo maior colégio eleitoral do país e abriu um desafio para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Sem um aliado de peso para dividir o palanque no estado, o presidenciável terá de reconstruir sua estratégia e buscar novas alianças para manter competitividade em um dos estados mais decisivos da corrida ao Palácio do Planalto.
Na avaliação de cientistas políticos ouvidos pelo R7, a saída de Cleitinho da corrida pelo Palácio da Liberdade não somente representa a perda de um aliado regional para Flávio, mas também altera o equilíbrio das articulações da direita em Minas Gerais, obrigando o PL a reorganizar sua presença no estado.
Para o cientista político Gabriel Amaral, a desistência exige uma revisão da estratégia justamente em um estado que, historicamente, costuma servir como um termômetro da competitividade de candidaturas presidenciais, já que todos os presidentes eleitos desde a redemocratização venceram também em Minas Gerais.
“Esse dado, porém, deve ser interpretado menos como uma relação de causa e efeito e mais como um sintoma da capacidade de construir uma coalizão nacional. Minas concentra características econômicas, sociais e culturais presentes em diferentes regiões do país, tornando-se um retrato bastante representativo do eleitorado brasileiro”, argumenta.
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O especialista destaca ainda que Cleitinho poderia oferecer um “palanque altamente competitivo” ao PL em um estado em que a capacidade de articulação é amplamente valorizada.
“Sua saída não significa apenas a perda de um aliado eleitoral, mas a necessidade de reorganizar toda a estrutura de apoio à candidatura presidencial, reconstruindo alianças e definindo quem exercerá a liderança política do campo conservador em Minas”, salienta.
Mudança de rota
A decisão de não concorrer ao governo de Minas Gerais foi anunciada após uma reunião, em Brasília, entre Cleitinho, o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), e o presidente estadual da legenda, deputado Euclydes Pettersen (MG), nessa segunda-feira (3). O senador afirmou que optou por permanecer no Senado por não se sentir emocionalmente preparado para enfrentar uma campanha eleitoral enquanto ainda vive o luto pela morte do irmão.
O cientista político Márcio Coimbra avalia que o anúncio muda significativamente os cálculos do PL em Minas Gerais, ao retirar da campanha um candidato com forte capacidade de mobilização popular e “capaz de unir a pauta conservadora a uma comunicação populista e de massa”.
“Sem Cleitinho liderando a disputa estadual, Flávio perde o principal motor de engajamento no interior e na região metropolitana, sendo forçado a redesenhar sua estratégia de última hora para negociar composições pragmáticas”, pondera.
Quais são as alternativas
Com a saída de Cleitinho, a principal tarefa do PL passa a ser encontrar um novo eixo de sustentação política em Minas.
Segundo Gabriel Amaral, uma das possibilidades é construir uma candidatura capaz de reunir PL, Republicanos, PP e outros partidos de centro-direita, tendo Marcelo Aro como um dos nomes citados nas negociações. Para ele, porém, o desafio vai além da escolha de um candidato ao governo.
“A questão central não é apenas definir quem disputará o governo estadual, mas identificar quem terá condições de coordenar politicamente a campanha presidencial em Minas Gerais”, avalia.
Amaral destaca ainda que a candidatura presidencial de Romeu Zema tende a tornar o cenário mais complexo. “Pela primeira vez, dois presidenciáveis relevantes disputarão o apoio de um mesmo campo político no estado. Isso desloca parte da disputa para além do eleitor e passa a envolver prefeitos, parlamentares, lideranças regionais e estruturas municipais”, afirma.
A adesão a uma chapa articulada pelo bloco PP-União Brasil passa a ser, na avaliação de Márcio Coimbra, uma das possibilidades mais viáveis para a estratégia de Flávio Bolsonaro no estado.
“Outra possibilidade é uma composição com o vice-governador Mateus Simões, herdeiro político de Romeu Zema. Resta ainda ao PL lançar um nome próprio, embora essa alternativa tenha menor densidade eleitoral”, analisa.
O que Flávio perde sem Cleitinho?
Os especialistas concordam que a principal perda não está apenas no potencial de transferência de votos, mas na capacidade de estruturar uma campanha integrada entre a disputa estadual e a presidencial.
Para Gabriel Amaral, Cleitinho reunia atributos que facilitariam a organização da campanha em todo o estado. “Cleitinho reunia liderança nas pesquisas, forte inserção no interior e elevada identificação com o eleitorado conservador, características que permitiriam estruturar uma campanha muito mais coordenada em todo o estado”.
Márcio Coimbra afirma que o senador funcionaria como um importante mobilizador da base bolsonarista. “Ter Cleitinho no mesmo palanque simplificaria exponencialmente a travessia de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. O senador funcionaria como um poderoso puxador de votos e vetor de mobilização militante, garantindo um palanque altamente competitivo no estado”, conclui.
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