Empresários pedem ao governo para descartar reciprocidade e retomar o Reintegra
Em vigor a partir desta quarta-feira, novo tarifaço é tema de reuniões no MDIC; governo sinaliza que pretende negociar pela via diplomática
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Em reunião no MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) realizada nesta quarta-feira (22), empresários pediram ao governo que o Brasil não adote a lei de reciprocidade contra as novas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre as reivindicações dos setores afetados, estão também solicitações para postergar em 120 dias o pagamento de tributos federais.
Segundo participantes ouvidos pelo R7, o governo sinalizou que pretende avançar no diálogo pela via diplomática e se mostrou disposto a socorrer os setores afetados.
O presidente do CentroRochas, Tales Machado, disse que a mensagem passada pelo titular do MDIC, Márcio Elias Rosa, é que o governo está preocupado com as empresas. “Mas a gente acredita muito que eles vão criar soluções. Cada setor tem uma particularidade que foi tratada [na reunião]”, explicou.
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Conforme mostrou o R7 Planalto, ainda nesta quarta o Palácio do Planalto pretende editar uma terceira edição do Plano Brasil Soberano, desta vez com cerca de R$ 13 bilhões em recursos. Parte do dinheiro deve vir da devolução da verba não usada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em linhas de crédito anteriores.
Machado saiu da reunião confiante em encontrar soluções. “A gente tem que sempre acreditar numa diplomacia empresarial. Temos uma relação muito forte com os Estados Unidos e acredito que isso vai evoluir, que a gente vai conseguir achar caminhos”, disse.
O setor de rochas pediu, por exemplo, o retorno do Reintegra — incentivo fiscal do governo federal que devolve parcial ou totalmente os resíduos tributários pagos na cadeia de produção de bens exportados — e um prazo de 120 dias para o pagamento de tributos tarifários.
Setor da saúde
Ao R7, o presidente da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), Jamir Dagir Jr., disse que a nova tarifa influencia decisões estratégicas.
“Algumas empresas avaliam absorver parte do custo adicional para preservar sua presença no mercado norte-americano, reduzindo suas margens de lucro. Outras estudam ampliar sua atuação em mercados alternativos e há empresas que já analisam medidas de contenção de custos, incluindo a revisão de investimentos e, em alguns casos, da estrutura de pessoal, caso esse cenário se prolongue. Ainda é cedo para mensurar os impactos para todo o setor, mas os relatos mostram que a medida já começa a produzir efeitos nas decisões das empresas”, avaliou.
Na reunião, o setor pediu também o Reintegra, além da ampliação das linhas de financiamento para inovação e internacionalização e a redução dos encargos sobre a folha de pagamento.
“O Brasil precisa transformar esse momento em uma oportunidade para fortalecer sua indústria. Precisamos de medidas que reduzam o custo de produzir no país, ampliem o acesso das empresas à inovação e criem condições para conquistar novos mercados. A competitividade da indústria brasileira será cada vez mais determinante em um ambiente internacional marcado por barreiras comerciais e disputas geopolíticas”, ressaltou.
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