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Entenda como ter acesso a recursos da Lei Rouanet; ‘Maioria dos beneficiados são pequenos artistas’, garante secretário

Pesquisa realizada pela FGV esclarece impactos da lei para a economia brasileira; secretário do governo repercute

Brasília|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Lei Rouanet gerou R$ 25 bilhões na economia brasileira em 2024, com cada R$ 1 investido resultando em R$ 7.
  • O investimento de R$ 4 bilhões beneficiou aproximadamente 89 milhões de pessoas e gerou 200 mil postos de trabalho.
  • Apesar das polêmicas, a lei é um incentivo fiscal ao setor cultural, representando apenas 0,5% de todos os incentivos fiscais no Brasil.
  • Projetos beneficiados incluem artistas e iniciativas de todos os estados, com 77% dos contemplados recebendo recursos pela primeira vez.

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Uma pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) revelou nesta terça (13) que, para cada real investido na Lei Rouanet em 2024, R$ 7 foram gerados. O investimento total de R$ 4 bilhões em impostos fez com que cerca de 89 milhões de pessoas fossem beneficiadas e movimentou mais de R$ 25 bilhões na economia brasileira. Fora isso, o dinheiro também foi responsável por gerar aproximadamente 200 mil postos de trabalho, diretos e indiretos. O estudo é inédito e foi encomendado pelo Ministério da Cultura em parceria com a Organização de Estados Ibero-Americanos.

Mas de que maneira tal lei consegue afetar tanto a economia de um país? Pense na seguinte situação: uma vez que alguém decide ir ao teatro, esta pessoa precisa pagar pelo transporte — seja por motoristas de aplicativo ou transporte público — isso se não tiver que pagar pelo estacionamento. Dentro do local, o visitante pede por um saco de pipoca, com milho produzido no Rio Grande do Sul e conduzido até a cidade, enquanto assiste a uma peça cujos figurinos dos atores foram feitos por alfaiates com algodão que cresceu em uma plantação em Mato Grosso com mais de 100 empregados.


Festivais e manifestações culturais recebem incentivos diretos da Lei Rouanet Reprodução/Record News - 10.06.2025

Henilton Menezes, secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural do Ministério da Cultura, que levantou o último exemplo, afirma que mesmo com os impactos positivos na economia nacional, a Lei Rouanet ainda é considerada por alguns uma medida polêmica, mas isso ocorre devido à falta de informação dos acusadores. Agora, com o estudo elaborado pela FGV, a população poderá entender melhor os efeitos da lei e a importância dela, segundo Menezes. Durante o Conexão Record News desta quarta (14), o secretário aproveitou para solucionar outras dúvidas relacionadas ao assunto.

Primeiramente, o especialista lembra que a Lei Rouanet não passa de um incentivo fiscal direcionado ao setor da cultura, da mesma maneira que existem outros estímulos semelhantes para os demais mercados do Brasil, como o comércio e a agricultura. “O incentivo fiscal da cultura, em sua totalidade, representa apenas meio por cento de todo o incentivo fiscal concedido a todos os setores”, esclarece.


O entrevistado aborda as discussões acerca da lei e a distribuição de recursos a grandes artistas ao lançar o seguinte argumento: “Existe sempre uma polêmica que questiona o porquê deles estarem recebendo, que eles não precisam, mas, na verdade, o que estamos fazendo é garantir o acesso da população brasileira a esses artistas.” O secretário também destaca que o que é arrecado serve de apoio para museus e festivais de teatro, música e cinema em todo o país.

Menezes afirma que o Brasil possui atualmente cerca de 5.000 projetos que recebem recursos da lei. Os investimentos ocorrem em todos os estados do país. Ele recorda um projeto recente, o Rouanet Nordeste, que focou nos estados da região. Com a conclusão do plano, descobriu-se que, 77% das pessoas contempladas para receber o dinheiro, estavam recebendo-o pela primeira vez na vida. “Não são somente os artistas bem-sucedidos que ganham com a lei. A maioria dos beneficiados são pequenos artistas que estão em todos os estados”.


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Ao ser questionado sobre a transparência do processo e os quesitos necessários para o setor cultural ter acesso aos recursos da lei, o secretário é direto: “Basta acessar a página do Ministério da Cultura para ter acesso. Esses projetos são encaminhados a partir de uma plataforma chamada Salic (Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura), que está dentro do site do Ministério. Os projetos podem ser entregues para o Ministério do dia 1º de fevereiro até o dia 31 de outubro. Nesse momento, nós não aceitamos projetos”.

Segundo o especialista, uma vez publicadas, as propostas passam por uma série de critérios de avaliação. Caso uma delas seja aprovada, o Ministério da Cultura autoriza a captação dos recursos junto aos contribuintes brasileiros, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Ele enfatiza que não há repasse direto do Ministério da Cultura e explica a monitorização realizada pelo governo: “À medida que o dinheiro é captado, ocorre uma fiscalização [...] As contas bancárias são abertas pelo Ministério e nós temos o controle total sobre tudo que está sendo gasto”.


Menezes diz que a quantidade de dinheiro reservada depende do tipo de proposta. “Pessoas físicas só podem apresentar projetos até R$ 500 mil. Pessoas jurídicas podem apresentar projetos até R$ 1,5 mil. E existem várias faixas de tipos de projetos que estão regulados. Além disso, também existem regras para as rubricas orçamentárias. Valores de cachês, valores de áreas de hotel”, completa.

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