Governo regulamenta marco legal dos ‘games’ com incentivo para produção brasileira
Lula defende indústria nacional de jogos eletrônicos: ‘A gente não quer ser inferior a japonês, americano, nem coreano’
Brasília|Do R7, em Brasília
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou, nesta quarta-feira (14), decreto que regulamenta o Marco Legal para a Indústria de Jogos Eletrônicos.
O texto prevê medidas para fortalecer a produção brasileira, com incentivos fiscais e créditos. Institui, ainda, o Game Brasil, plataforma pública e gratuita para catalogar, divulgar e promover jogos brasileiros.
Durante o evento, no Palácio do Planalto, Lula destacou a necessidade de formação para o setor. “Conectar quem precisa, quem ensina, quem cria e quem investe. O decreto estabelece a criação de rede nacional de pesquisa e desenvolvimento de jogos. Queremos criar soluções tecnológicas, empreendimentos para crianças e jovens de todo o Brasil”, disse.
“Vamos produzir aqui, porque a gente não quer ser inferior a japonês, americano, nem coreano. Se preparem, porque fazer é difícil. Destruir é apenas um passo. Se organizem para não permitir que ninguém tire o que vocês conquistaram”, acrescentou Lula.
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O marco também define responsabilidades dos órgãos envolvidos e prevê proteção dos usuários, preservação de jogos financiados com recursos públicos e proteção da propriedade intelectual.
“Criamos condições para expansão da indústria, vamos criar um ambiente digital seguro para crianças e adolescentes. E é preciso combater a misoginia. As mulheres são maioria no consumo de jogos eletrônicos, mas ainda enfrentam hostilidades no ambiente digital”, afirmou Lula.
Principais pontos
1. Crédito e captação de recursos
- Ancine (Agência Nacional do Cinema) deverá propor ao Comitê Gestor a redução do valor mínimo dos empréstimos de R$ 500 mil para R$ 150 mil e dos juros de TR (taxa referencial) + 2% para TR + 0,5% ao ano.
- R$ 460 milhões em 2026: montante previsto para crédito à indústria audiovisual, incluindo jogos eletrônicos.
- R$ 100 milhões estimados para 2027: duas iniciativas de captação de R$ 50 milhões cada, destinadas à infraestrutura de desenvolvimento e à produção, ao lançamento e à comercialização de jogos independentes.
- Rouanet Games: iniciativa de orientação para a captação de patrocínios por meio da Lei Rouanet.
2. Formação profissional e divulgação
- 230 vagas pactuadas em cursos de graduação na área de jogos eletrônicos, distribuídos por cinco universidades federais, uma em cada região do país.
- Seis cursos específicos previstos pela Escult para 2027, incluindo Introdução ao Desenvolvimento de Jogos Digitais e Desenvolvedor de Jogos Digitais.
- Oferta de capacitações gratuitas e ações de qualificação pelo Ministério da Cultura, por meio da Escult e do CTAv (Centro Técnico Audiovisual).
- Incentivo à pesquisa, à extensão, à inovação, ao empreendedorismo e à cooperação internacional no ensino superior.
3. Inovação e capacitação tecnológica
- R$ 200 milhões: chamada pública proposta para a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, destinada a startups e soluções digitais inovadoras.
- R$ 100 milhões em investimentos privados estimados para 2027–2028: programa Talentos, voltado à formação e à capacitação tecnológica.
- Previsão de cinco centros de competência em áreas como inteligência artificial, computação gráfica e realidade virtual.
- Campanha de orientação sobre os incentivos fiscais da Lei do Bem.
4. Plataforma Game Brasil
- Criação de uma plataforma pública e gratuita para catalogar e divulgar jogos brasileiros.
- Divulgação de informações sobre os desenvolvedores e indicação das plataformas em que os jogos estão disponíveis.
- R$ 1,4 milhão de investimento inicial previsto.
- Possibilidade de criação de repositório de jogos financiados com recursos públicos para instituições públicas de ensino, pesquisa e saúde, respeitando os direitos autorais e as condições de financiamento.
5. Fomento e desenvolvimento do setor
- Acesso aos mecanismos federais de incentivo à tecnologia, pesquisa, desenvolvimento, inovação e cultura.
- Regulamentação, pela Ancine, do acesso à Lei do Audiovisual e proposição de critérios de financiamento pelo FSA (Financiamento do Setor Audiovisual).
- Criação de uma rede nacional de espaços de formação, experimentação, pesquisa e desenvolvimento de jogos.
6. Proteção dos usuários
- Prevenção de riscos à saúde associados aos hábitos de uso e ao transtorno por uso de jogos eletrônicos.
- Proteção de crianças e adolescentes conforme o ECA (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente) Digital.
- Medidas de acessibilidade em serviços, sistemas e comunidades oficiais dos jogos.
- Definição de parâmetros para jogos com finalidade terapêutica pelo Ministério da Saúde.
- Critérios de segurança, privacidade, acessibilidade e supervisão humana em atividades de treinamento e capacitação.
7. Governança e propriedade intelectual
- Instituição de um comitê interministerial para acompanhar a implementação do marco legal e coordenar ações entre governo e setor privado.
- Atuação do Instituto Nacional da Prosperidade Industrial na definição de procedimentos administrativos para o registro de jogos eletrônicos.
- Simplificação e maior eficiência dos procedimentos de proteção da propriedade industrial.
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