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Entenda a investigação do STF sobre desvio de emendas para eventos de eSports

Ministro Flávio Dino autorizou 16 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da federação

Brasília|Victoria Lacerda e Gabriela Coelho, do R7, em Brasília

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A PF deflagrou a Operação Korban para investigar o desvio de R$ 15 milhões em emendas parlamentares para eventos de eSports.
  • A investigação revelou indícios de fraude, empresas de fachada e lavagem de dinheiro com recursos do Ministério do Esporte.
  • Foram autorizados 16 mandados de busca em quatro estados, visando coletar provas sobre o esquema criminoso.
  • Se parlamentares forem confirmados como envolvidos, o caso será encaminhado à PGR para possíveis denúncias criminais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ministro Flávio Dino autorizou 16 mandados de busca e apreensão
Ministro Flávio Dino autorizou 16 mandados de busca e apreensão PF/Divulgação - Arquivo

A pedido da PF (Polícia Federal), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a deflagração da Operação Korban, que investiga o desvio de pelo menos R$ 15 milhões em emendas parlamentares destinadas à realização de campeonatos escolares de eSports — os esportes eletrônicos. A operação, deflagrada na terça-feira (29), mira a destinação de recursos federais por parlamentares a uma associação do Distrito Federal, que teria simulado a execução dos eventos.

A apuração foi aberta após a CGU (Controladoria-Geral da União) identificar falhas graves na execução de convênios firmados com o Ministério do Esporte entre 2023 e 2024. Com base nesse relatório, a PF apontou indícios de um esquema envolvendo fraude na prestação de contas, empresas de fachada, superfaturamento e lavagem de dinheiro, o que levou o caso ao STF — já que parlamentares com foro privilegiado estão envolvidos.

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O ministro Flávio Dino autorizou 16 mandados de busca e apreensão em quatro unidades da federação: Distrito Federal, Acre, Paraná e Goiás. Também foram determinadas:

  • suspensão de repasses federais à associação investigada;
  • bloqueio de bens e contas bancárias, até o limite de R$ 25 milhões;
  • proibição de pagamentos a empresas subcontratadas nos convênios sob suspeita.

Como funcionava o esquema, segundo a PF

A associação alvo da investigação recebeu recursos públicos por meio de termos de fomento com o Ministério do Esporte. A justificativa oficial era a realização de torneios escolares de eSports. No entanto, as apurações indicam que:

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  • parte dos eventos nunca aconteceu;
  • os serviços contratados estavam superfaturados;
  • as empresas contratadas não tinham estrutura para atuar no ramo;
  • sócios eram laranjas ou tinham vínculos com gabinetes parlamentares;
  • o dinheiro pode ter retornado de forma ilícita para os intermediários — por meio de saques em espécie, notas frias ou contratos simulados.

Segundo os investigadores, a entidade funcionava como ponte entre parlamentares e fornecedores de fachada, permitindo o uso indevido de verbas públicas em nome de eventos que serviriam apenas como fachada para o desvio de recursos.

Ministério do Esporte e fiscalização

Os convênios foram assinados com o Ministério do Esporte, que repassou os recursos à entidade sob a justificativa de incentivar a prática de esportes digitais em escolas públicas. A CGU identificou que, apesar dos altos valores, não houve fiscalização eficaz da aplicação dos recursos. Também não foram exigidos relatórios técnicos adequados nem comprovantes das atividades realizadas.

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Essa fragilidade nos controles administrativos, segundo os investigadores, abriu espaço para a montagem do esquema de desvio de recursos. Em nota enviada ao R7, o Ministério do Esporte afirmou que acompanha e apoia integralmente a operação da Polícia Federal, em conjunto com a CGU (Controladoria-Geral da União), que apura o uso indevido de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares impositivas — de pagamento obrigatório.

A pasta destacou que essas emendas têm sua destinação definida pelos próprios parlamentares, que também indicam as entidades e projetos beneficiados. No caso investigado, os recursos foram repassados à Associação Moriá para a realização de eventos de esportes digitais.

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Segundo o ministério, desde que as primeiras suspeitas chegaram ao conhecimento da equipe técnica, foi determinada a suspensão imediata de qualquer repasse de recursos à entidade investigada.

O que diz o STF e quais os próximos passos

Na decisão que autorizou a operação, o ministro Flávio Dino considerou “graves” os elementos apresentados pela PF e ressaltou que há riscos concretos de novos prejuízos ao erário caso os repasses não fossem suspensos imediatamente.

Agora, com base nas buscas, a PF vai analisar documentos, e-mails, contratos e movimentações financeiras para identificar quem se beneficiou diretamente do dinheiro e como funcionava o suposto esquema. Há expectativa de que sejam solicitadas quebras de sigilo bancário e fiscal, além de novas oitivas.

Caso fique comprovado o envolvimento direto de parlamentares com mandato, os autos podem ser encaminhados à PGR (Procuradoria-Geral da República), responsável por apresentar denúncia criminal ao STF.

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