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Governo trabalha com cenário de dificuldades para aprovar pautas prioritárias ainda este ano

Planalto terá de superar impasses sobre redução da maioridade penal e uso de emendas no financiamento do transporte gratuito

Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O governo enfrenta dificuldades para aprovar a PEC da Segurança Pública e a PEC da Tarifa Zero ainda este ano.
  • Há resistência no Congresso e necessidade de negociações políticas para avançar com as propostas.
  • A PEC da Tarifa Zero enfrenta obstáculos devido ao uso de emendas parlamentares para financiar o transporte gratuito.
  • A PEC da Segurança Pública enfrenta divergências, especialmente em relação à redução da maioridade penal.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo e Congresso
Governo tem como prioridade aprovação da PEC da Segurança Pública e da Tarifa Zero ainda neste ano Saulo Cruz/Agência Senado

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já reconhece que terá dificuldades para aprovar ainda neste ano duas de suas principais propostas: a PEC da Segurança Pública e a PEC da Tarifa Zero. Ambas enfrentam resistências no Congresso e dependem de acordos políticos para avançar.

Um dos líderes da pauta “tarifa zero”, o deputado Jilmar Tatto (PT-SP) admitiu que a aprovação das propostas exigirá negociações e disposição do governo para discutir mudanças nos textos. No caso do transporte gratuito, o parlamentar afirmou que poderá ser necessário avaliar novas fontes de financiamento e cogitou uma reformulação do vale-transporte.

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O principal obstáculo está na ideia de destinar cerca de R$ 12 bilhões de emendas parlamentares ao custeio da gratuidade do transporte público.

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Esses recursos são usados por deputados e senadores para financiar obras e serviços nos estados e municípios, o que torna a mudança politicamente sensível. A PEC enviada pelo governo à Câmara prevê reservar pelo menos 26,8% das emendas parlamentares obrigatórias para financiar a tarifa zero.

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A regra alcança tanto as emendas individuais, indicadas por cada parlamentar, quanto as emendas de bancada, definidas coletivamente pelos representantes de cada estado. Tatto defendeu aprofundar a discussão sobre o uso das emendas de bancada, em vez de comprometer recursos destinados individualmente pelos congressistas.

O deputado também defendeu a busca de outras fontes de recursos para viabilizar o programa.

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Segundo Tatto, uma comissão já foi instalada para discutir a proposta, com indicações feitas pelas lideranças partidárias. O parlamentar afirmou que pediu para assumir a relatoria dos trabalhos.

Governo busca acordo

Nesta terça-feira (27), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, confirmou que o governo pretende negociar com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para viabilizar a aprovação da tarifa zero.

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Guimarães reconheceu que ainda não há uma definição sobre o financiamento da medida e afirmou que o Executivo está aberto ao diálogo para estabelecer um entendimento com o Congresso.

O calendário, porém, é apertado. A PEC ainda precisa passar pela análise de admissibilidade da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e por uma comissão especial antes de chegar ao plenário. Depois, terá de ser analisada pelo Senado.

Para ser aprovada, uma mudança na Constituição precisa receber o apoio de pelo menos 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação em cada Casa.

Maioridade penal trava PEC da Segurança

A PEC da Segurança Pública enfrenta outro tipo de resistência. O texto foi aprovado pela CCJ do Senado em 14 de outubro, mas acabou retirado da pauta do plenário por Alcolumbre após divergências sobre a inclusão da redução da maioridade penal.

Uma das emendas, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), prevê reduzir a idade de responsabilização criminal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em crimes hediondos, como homicídios, feminicídios e estupros.

O governo quer evitar que a discussão sobre maioridade penal seja incorporada à PEC da Segurança. Além das divergências políticas, eventuais alterações no texto poderiam obrigar a proposta a retornar à Câmara, atrasando ainda mais a tramitação.

Nesta terça-feira, José Guimarães voltou a defender que a maioridade penal seja discutida separadamente, para permitir a conclusão da votação da proposta.

A aprovação é considerada importante pelo governo para viabilizar a criação de um Ministério da Segurança Pública, promessa de Lula para o próximo mandato.

A expectativa no Senado é que a tramitação seja retomada na próxima semana.

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