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Povos indígenas defendem proteção de florestas em ‘barqueata’ em Belém

Ato nas águas do rio Guamá deu início à Cúpula dos Povos, que ocorre de forma paralela à COP30

Brasília|Lis Cappi, do R7, enviada especial a Belém

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Um dos destaques do protesto foi a participação do cacique Raoni Metuktire Lis Cappi/R7 - 12.11.2025

Poderia ser uma manhã corriqueira nas águas de Belém (PA), em um trajeto de barco pelo rio Guamá, se não fossem os cantos de comunidades indígenas e movimentos sociais que ecoavam durante o trajeto de 13 quilômetros feito por embarcações nessa quarta-feira (12).

Os manifestantes organizaram uma “barqueata” em defesa da floresta, pela redução das desigualdades e contra obras da hidrovia do rio Tapajós. A iniciativa deu início à Cúpula dos Povos, que ocorre em paralelo aos encontros da COP30 e conta com rodas de discussão e debates sobre a defesa do meio ambiente e dos povos originários.

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Um dos destaques do ato foi a participação do cacique Raoni Metuktire, do povo Caiapó, uma das principais lideranças indígenas brasileiras ligadas à proteção de florestas.

Aos 93 anos, ele fez um duro discurso em que apontou preocupação com o desmatamento na Amazônia e prometeu pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a recuar com o projeto de explorar petróleo na Margem Equatorial.

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“Eu já falei com Lula desse assunto e vou continuar cobrando”, declarou. “Eu vou marcar um encontro para falar com ele e, se precisar puxar a orelha, eu farei. Ele tem que respeitar a gente.”

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Além de protestarem pela conservação da floresta, representantes dos povos indígenas defenderam a demarcação de terras e questionaram o plano anunciado por Lula de usar lucros do petróleo para bancar a transição energética.

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“É com muita luta que o povo indígena demarcou terra. Não foi a vontade do governo, foi luta, foi cobrança, foi exigência. E esse lucro que falam, nem em outros projetos, como [benefícios da usina hidrelétrica de] Belo Monte, chegam nas comunidades indígenas. Então é uma fala que tem que acontecer na prática, mas é muito difícil de povos indígenas acreditarem nisso”, afirmou o cacique Patxon Metuktire, do norte de Mato Grosso.

Ato reuniu barcos em protesto no rio Guaíma Lis Cappi/R7 - 12.11.2025

Em outra frente, a líder indígena Raquel Kumaruara, de Santarém, cobrou mais participação de comunidades nos espaços de decisões políticas. Na avaliação dela, faltam ambientes de escuta aos principais grupos afetados por mudanças climáticas.

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“Os povos indígenas, os ribeirinhos, extrativistas, os mercadores, são os que menos degradam, são os que menos matam, e os primeiros que sofrem quando vem uma enxurrada, quando vem uma seca”, constatou.

Raquel faz parte de uma delegação de 150 indígenas e contou que alguns deles levaram três dias de viagem de barco para chegar a Belém a fim de participarem da Cúpula dos Povos.

“Os movimentos se juntaram para fazer um evento paralelo à COP porque a COP é o que acontece lá e só entra quem tem credencial. A nossa região, por exemplo, só teve duas pessoas que tiveram credenciais para a Zona Azul. Só essas pessoas que têm acesso lá. São assuntos que são voltados para nós e que a gente não tem tanta participação”, ressaltou.

Indígenas fizeram protesto durante ato em barcos em Belém Lis Cappi/R7 - 12.11.2025

O vice-presidente do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns, Lucas Tupinambá, destacou que o esforço de representantes dos povos indígenas para participar da cúpula visa proteger a natureza e garantir o bem-estar de gerações futuras.

“Nós estamos aqui pela defesa das nossas gerações, mas também pela defesa daqueles que não conseguem vir aqui se expressar — que são as árvores, os igarapés, o açaí, a bacaba. Nós temos que os defender para garantir a soberania do nosso povo", frisou.

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