Itália revela em sentença de Carla Zambelli rede de apoio usada para se esconder em Roma
Corte de Apelação italiana descreveu como a ex-deputada aproveitou brecha nos sistemas aeroportuários e contou com suporte familiar
Brasília|Gabriela Coelho e Leonardo Meireles, do R7, em Brasília
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A Corte de Apelação de Roma deixou registrado em sua sentença de extradição, com data de 12 de fevereiro de 2026 e depositada em cartório no dia 26 de março, como a ex-deputada federal Carla Zambelli organizou e executou sua fuga do Brasil — e como conseguiu permanecer na Itália por semanas antes de ser presa.
O documento, ao qual o R7 teve acesso, descreve uma combinação de planejamento familiar, suporte de terceiros e aproveitamento de uma brecha técnica nos controles aeroportuários italianos.
A defesa da ex-parlamentar afirmou que vai recorrer da decisão.
A brecha na imigração
Zambelli deixou o Brasil em 5 de junho de 2025. Viajou primeiro para os Estados Unidos e chegou à Itália vindo de Miami no dia imediatamente posterior à emissão da sentença do Supremo Tribunal Federal brasileiro com a ordem de sua prisão.
O timing não passou despercebido pelos magistrados italianos. A Corte registrou na sentença que a ex-deputada aproveitou uma janela em que o alerta vermelho da Interpol — a chamada Red Notice — ainda não havia sido inserido nos sistemas de controle dos aeroportos italianos. Por isso, ela cruzou a imigração sem ser detectada.
Após entrar na Itália, Zambelli permaneceu foragida por semanas. A polícia judiciária italiana concluiu, com base em investigações, que ela desfrutou de uma rede de suporte para sua latitância — termo técnico utilizado no documento para definir a estrutura montada para mantê-la em fuga.
A existência dessa rede tornou-se um dos principais argumentos da Corte para negar os sucessivos pedidos de liberdade apresentados pela defesa. Para os juízes, a rede demonstrava um risco “concreto e atual” de nova fuga, caso Zambelli fosse solta.
Apartamento em Roma, marido e pai
A estrutura para a permanência em Roma incluiu a locação de um apartamento na Via Borghetto di Vara, 13, onde a ex-deputada vivia com o marido. No momento da prisão, em 29 de julho de 2025, Zambelli estava acompanhada pelo pai, identificado no documento como Salgado Joao Helio, também presente no imóvel.
A defesa justificou a mudança dos Estados Unidos para a Itália pelos “altos custos” de vida em Miami. A Corte, porém, interpretou o movimento de forma diferente: como parte de uma estratégia deliberada de fuga, não uma decisão financeira.
Ao analisar todos esses elementos, a Corte de Apelação de Roma concluiu que o uso da rede de apoio e a forma coordenada como Zambelli entrou na Itália demonstravam suas “efetivas intenções em relação à sua permanência no território italiano” — configurando, na avaliação dos magistrados, uma fuga voluntária para se subtrair à Justiça brasileira.
A sentença aprovada pelos juízes Flavio Monteleone, Aldo Morgigni e Fabrizio Suriano determinou a extradição de Zambelli ao Brasil para o cumprimento de pena de 10 anos de reclusão, além de multa.
Os crimes apontados por eles: acesso abusivo a sistemas informáticos e falsidade ideológica — praticados entre agosto de 2022 e janeiro de 2023 contra os sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do Supremo Tribunal Federal.
A decisão estabelece ainda condições para a entrega: o Brasil deverá garantir diplomaticamente à Itália acesso consular à ex-parlamentar, comunicação reservada com seus advogados e informes trimestrais sobre seu estado de saúde e condições de detenção na Penitenciária Feminina do Distrito Federal.
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