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CPMI do INSS: relatório pede mais de 200 indiciamentos, responsabilização de 7 bancos e alterações em 8 leis

O documento, de mais de quatro mil páginas, é de autoria do deputado Alfredo Gaspar

Brasília|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • CPMI do INSS apresentou relatório com 216 indiciamentos por descontos ilegais em aposentadorias.
  • Sete bancos são responsabilizados, com pedidos de indiciamento contra quatro deles.
  • Reportagem destaca 47 entidades que movimentaram R$ 10,5 bilhões entre 2015 e 2025.
  • Debates acalorados ocorreram durante a leitura do relatório na sessão, com xingamentos entre deputados.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O deputado Alfredo Gaspar é relator da comissão Geraldo Magela/Agência Senado - 27.03.2026

O relatório final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), apresentado na sessão desta sexta-feira (27) pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União- AL) conta com 216 pedidos de indiciamento por envolvimento nos descontos ilegais de aposentadorias do INSS.

O documento, que tem 4.340 páginas, também pede responsabilização criminal de sete representantes de bancos e pedidos de indiciamento contra quatro deles, além de alteração/aperfeiçoamento de cinco leis.


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Pedidos de indiciamento

O rol de envolvidos no esquema abrange desde agentes políticos do alto escalão do governo até figuras públicas com estreitas ligações a personalidades políticas. Destacam-se:

  • Carlos Lupi: ex-ministro da Previdência Social;
  • Euclydes Pettersen: deputado federal;
  • Maria Gorete Pereira: deputada federal;
  • José Sarney Filho: ex-ministro do Meio Ambiente;
  • Alessandro Antônio Stefanutto: ex-presidente do INSS;
  • Glauco André Wamburg: também ex-presidente do INSS;
  • Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva;
  • Roberta Luschinger: empresária associada a Lulinha;
  • Daniel Vorcaro: dono do Banco Master;
  • Pedro Alves Corrêa Neto: ex-secretário no Ministério da Agricultura;
  • Adroaldo da Cunha Portal: ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social.

Maiores desvios

As investigações apontaram 47 entidades associativas e sindicais que realizaram descontos em folhas de pagamento entre 2015 e 2025, movimentando aproximadamente R$ 10,5 bilhões. Entre as responsáveis pelos maiores desvios estão:


  • Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura): R$ 3.877.469.474,86;
  • Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares): R$ 806.951.906,86;
  • Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos): R$ 599.520.490,37;
  • Ambec (Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos): R$ 499.736.659.

Principais crimes apontados

  • Organização criminosa;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Corrupção ativa e passiva;
  • Inserção de dados falsos em sistema de informações;
  • Furto e fraude eletrônica contra idosos.

“Líderes” do esquema

O relatório aponta indivíduos que teriam atuado como “líderes” do esquema criminoso. Entre eles estão:

  • Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): apontado como o principal operador financeiro e líder da organização criminosa;
  • Cecília Rodrigues Mota: descrita como o “nó operacional” do esquema, gerindo fluxos financeiros e comunicações;
  • Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior: operador do núcleo financeiro;
  • Aldo Luiz Ferreira: operador estratégico do grupo do Careca do INSS.

Executivos de instituições financeiras

No eixo dos empréstimos consignados, a CPMI pediu o indiciamento de:


  • Artur Ildefonso Brotto Azevedo: Banco C6 Consignado S.A;
  • Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima: Banco Master S.A;
  • Eduardo Chedid: PicPay Bank.

Leitura do relatório teve bate-boca e confusão

Gaspar iniciou a leitura citando uma declaração do ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, em 2018, dirigida ao ministro Gilmar Mendes: “Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”.

“Eu não sei, mas gostei da poesia”, disse Gaspar após terminar.


Após a fala, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou Gaspar de estuprador. O relator da CPMI respondeu: “Eu estuprei corruptos como vossa excelência, que roubam o Brasil. Ladrão. Corrupto”, disse.

O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que não interromperia a sessão porque “o povo tem o direito de saber” o que ocorre na CPMI.

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