CPMI do INSS: relatório pede mais de 200 indiciamentos, responsabilização de 7 bancos e alterações em 8 leis
O documento, de mais de quatro mil páginas, é de autoria do deputado Alfredo Gaspar
Brasília|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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O relatório final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), apresentado na sessão desta sexta-feira (27) pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União- AL) conta com 216 pedidos de indiciamento por envolvimento nos descontos ilegais de aposentadorias do INSS.
O documento, que tem 4.340 páginas, também pede responsabilização criminal de sete representantes de bancos e pedidos de indiciamento contra quatro deles, além de alteração/aperfeiçoamento de cinco leis.
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Pedidos de indiciamento
O rol de envolvidos no esquema abrange desde agentes políticos do alto escalão do governo até figuras públicas com estreitas ligações a personalidades políticas. Destacam-se:
- Carlos Lupi: ex-ministro da Previdência Social;
- Euclydes Pettersen: deputado federal;
- Maria Gorete Pereira: deputada federal;
- José Sarney Filho: ex-ministro do Meio Ambiente;
- Alessandro Antônio Stefanutto: ex-presidente do INSS;
- Glauco André Wamburg: também ex-presidente do INSS;
- Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva;
- Roberta Luschinger: empresária associada a Lulinha;
- Daniel Vorcaro: dono do Banco Master;
- Pedro Alves Corrêa Neto: ex-secretário no Ministério da Agricultura;
- Adroaldo da Cunha Portal: ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social.
Maiores desvios
As investigações apontaram 47 entidades associativas e sindicais que realizaram descontos em folhas de pagamento entre 2015 e 2025, movimentando aproximadamente R$ 10,5 bilhões. Entre as responsáveis pelos maiores desvios estão:
- Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura): R$ 3.877.469.474,86;
- Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares): R$ 806.951.906,86;
- Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos): R$ 599.520.490,37;
- Ambec (Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos): R$ 499.736.659.
Principais crimes apontados
- Organização criminosa;
- Lavagem de dinheiro;
- Corrupção ativa e passiva;
- Inserção de dados falsos em sistema de informações;
- Furto e fraude eletrônica contra idosos.
“Líderes” do esquema
O relatório aponta indivíduos que teriam atuado como “líderes” do esquema criminoso. Entre eles estão:
- Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): apontado como o principal operador financeiro e líder da organização criminosa;
- Cecília Rodrigues Mota: descrita como o “nó operacional” do esquema, gerindo fluxos financeiros e comunicações;
- Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior: operador do núcleo financeiro;
- Aldo Luiz Ferreira: operador estratégico do grupo do Careca do INSS.
Executivos de instituições financeiras
No eixo dos empréstimos consignados, a CPMI pediu o indiciamento de:
- Artur Ildefonso Brotto Azevedo: Banco C6 Consignado S.A;
- Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima: Banco Master S.A;
- Eduardo Chedid: PicPay Bank.
Leitura do relatório teve bate-boca e confusão
Gaspar iniciou a leitura citando uma declaração do ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, em 2018, dirigida ao ministro Gilmar Mendes: “Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”.
“Eu não sei, mas gostei da poesia”, disse Gaspar após terminar.
Após a fala, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou Gaspar de estuprador. O relator da CPMI respondeu: “Eu estuprei corruptos como vossa excelência, que roubam o Brasil. Ladrão. Corrupto”, disse.
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que não interromperia a sessão porque “o povo tem o direito de saber” o que ocorre na CPMI.
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