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Lira fala em acolher sugestões de governadores e prefeitos em projeto da reforma tributária

Segundo o presidente da Câmara, objetivo é destravar o tema e não transformá-lo em uma 'batalha político-partidária'

Brasília|Bruna Lima, do R7, em Brasília

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Em meio ao esforço concentrado para votar a reforma tributária até o fim da semana, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta quarta-feira (5) que o momento é "de diálogo e de acolhermos as sugestões de governadores, prefeitos e da sociedade". 

"O Brasil precisa de uma nova legislação tributária. Sem ela, o país não avança. [...] Não vamos transformar a reforma tributária numa batalha político-partidária nem aproveitá-la para ganhar uma notoriedade momentânea", disse Lira em postagem nas redes sociais. 

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Governadores insistem em mudanças no relatório da reforma tributária. Na visão de parte dos gestores, pontos da reforma ameaçam a autonomia dos governos locais. Além disso, eles querem que a União aumente o valor do Fundo de Desenvolvimento Regional, que serviria para compensar as perdas que tiveram com o fim do ICMS.

Há expectativa de discutir o texto da reforma tributária em plenário nesta quarta. Mas o relator da proposta, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ainda trabalha com mudanças no texto para fechá-lo. Paralelamente, de parlamentares a governadores continuam a costurar alterações para garantir apoio à proposta. 

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O principal ponto da proposta de reforma tributária em análise no Congresso trata da unificação dos impostos, com a criação de um único imposto sobre bens e serviços, dividido em um tributo federal e um de estados e municípios.

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Ainda assim, Lira mantém a previsão de votar a reforma até sexta-feira (7), bem como o projeto de lei com mudanças no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf) e o marco fiscal. "Como acertado no colégio de líderes da Casa, essas matérias serão votadas à medida que obtivermos consenso para termos maioria para aprovarmos os textos", disse o presidente. 

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Relatório

Veja a seguir o que está previsto no relatório de Aguinaldo Ribeiro.

• Substituição de tributos

A reforma define um novo sistema de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, com uma parte destinada ao governo federal, e a outra, aos governos estaduais e municipais.

O IVA federal vai reunir IPI, PIS e Cofins. O IVA subnacional (que compreende os estados, o Distrito Federal e os municípios) vai juntar ICMS e ISS — os dois tributos serão cobrados na venda ao consumidor final.

O modelo prevê ainda uma taxa mais alta, uma média, uma pequena e uma isenta, a exemplo de países europeus, que aplicam tarifas de acordo com o bem ou o serviço.

• Diferença de alíquotas

O texto trouxe dois tipos de alíquota — a padrão e a reduzida — e estabeleceu isenção para determinados produtos e serviços.

Haverá redução de 50% da alíquota para bens e serviços de setores como transporte público coletivo urbano, semiurbano ou metropolitano; medicamentos; dispositivos médicos e serviços de saúde; serviços de educação; produtos agropecuários, pesqueiros, florestais e extrativistas vegetais in natura; insumos agropecuários, alimentos destinados ao consumo humano e produtos de higiene pessoal; além de atividades artísticas e culturais nacionais.

Previsão de isenção para determinados medicamentos, como os de tratamento de câncer; redução em 100% da alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) incidente sobre serviços de educação de ensino superior (Prouni); e isenção de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS na hipótese de pessoas físicas que desempenhem as atividades agropecuárias, pesqueiras, florestais e extrativistas vegetais in natura.

• Fundo de Desenvolvimento Regional

O texto prevê um aporte feito exclusivamente pela União para a criação de um fundo para financiar projetos de desenvolvimento que são importantes para o crescimento social e econômico. Aplicação em realização de estudos, fomentos, atividades produtivas com geração de emprego e renda é uma das exigências para o uso do recurso.

Esses aportes, segundo o relator, se iniciam em R$ 8 bilhões, a partir de 2029, e devem chegar a R$ 40 bilhões a partir de 2033 por ano.

• Regimes tributários favorecidos

O relatório de Aguinaldo manteve os dois regimes tributários favorecidos atualmente, estabelecidos na Constituição: a Zona Franca de Manaus e o Simples Nacional.

• Transição para o novo modelo

O texto estabelece que a transição dos tributos antigos para os atuais será feita em oito anos, da seguinte forma:

• 2026: iníco com alíquota de 1% compensável com o PIS/Cofins;

• 2027: entrada da CBS, extinção do PIS/Cofins e redução a zero das alíquotas do IPI (exceto Zona Franca de Manaus);

• de 2029 a 2032: entrada proporcional do IBS e extinção proporcional do ICMS e do ISS;

• 2033: vigência integral do novo sistema e extinção do antigo.

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