Lula diz a advogado que Lulinha deve se apresentar à Justiça para dar explicações
Presidente afirmou que filho não deve ser tratado acima da lei; defesa também cobra que empresário não seja alvo de vazamentos
Brasília|Do R7, com Estadão Conteúdo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deve se colocar à disposição da Justiça para prestar as explicações necessárias sobre as investigações que o envolvem. A informação foi dada pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende o empresário, após reunião com Lula na noite dessa quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada.
O encontro, que não constava inicialmente da agenda presidencial, contou também com a presença de Fernando Haddad, candidato do PT ao Governo de São Paulo. Segundo Marco Aurélio, a reunião tinha como objetivo principal tratar de compromissos de Lula e da campanha petista em São Paulo, já que o advogado também coordena a campanha no estado.
Durante a conversa, porém, Marco Aurélio afirmou que levou voluntariamente ao presidente o assunto envolvendo Lulinha. Segundo ele, Lula reforçou que o filho não deve ser tratado como alguém acima da lei.
“Mas a orientação do presidente é para colocar o filho dele à disposição da Justiça”, afirmou o advogado.
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Marco Aurélio disse ainda que Lula manifestou a preocupação de que as instituições de investigação atuem de forma independente. Segundo o advogado, o presidente afirmou que não quer uma Polícia Federal que seja usada para proteger aliados ou perseguir adversários.
“Não ganhei as eleições para aparelhar nenhuma instituição”, teria dito Lula, de acordo com o relato do advogado.
Defesa questiona vazamentos
Ao mesmo tempo em que afirma defender que Lulinha preste as explicações necessárias, a defesa do empresário questiona a divulgação de informações da investigação. Marco Aurélio disse que apresentou representações à Polícia Federal e ao Ministério da Justiça para tentar conter o que classificou como vazamentos “clandestinos e criminosos” de informações do caso.
Segundo o advogado, a defesa considera que a divulgação seletiva de elementos da investigação teria objetivos eleitorais e poderia influenciar a disputa presidencial.
“Nós queremos que o devido processo legal seja respeitado”, afirmou Marco Aurélio. “Ninguém está acima da lei, mas também não pode ser tratado como se estivesse abaixo da lei”, acrescentou.
Os desdobramentos dos inquéritos que envolvem Lulinha têm provocado apreensão na campanha de Lula à reeleição. O empresário é investigado por suspeitas de tráfico de influência e de tentativa de obter vantagens em negócios com o governo federal.
Investigações
Lulinha aparece nas investigações ao lado da empresária Roberta Luchsinger, que mantém uma consultoria e teria atuado como lobista para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso pela Polícia Federal sob suspeita de participação em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias.
Diálogos de Roberta obtidos pela PF indicam, segundo as investigações, que ela tinha interesse em obter 20% de lucro em um negócio envolvendo cannabis medicinal. As apurações também apontam que ela e Lulinha teriam tentado viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol para o SUS (Sistema Único de Saúde), sem licitação.
Em uma das tratativas, Roberta teria enviado uma minuta de contrato a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que à época era chefe de gabinete de Lula. Ele afirma que não encaminhou o documento adiante.
Marcola deixou a campanha presidencial no último dia 5, após a PF identificar pagamentos feitos por Roberta a ele. O cientista político afirmou, na ocasião, que os valores correspondiam a um empréstimo já quitado. Segundo ele, o pagamento foi feito por meio de uma transferência de R$ 249 mil.
As conversas analisadas pela PF também mencionam a participação de um advogado amigo do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Kassio Nunes Marques, atual presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nas tratativas envolvendo o contrato de canabidiol.
Em relatório, a PF afirmou que Roberta demonstrava, nas conversas, ter “autorização” para atuar em nome de Lulinha. Em um diálogo com uma pessoa envolvida na prospecção de negócios com o governo, ela teria afirmado ser representante do filho do presidente.
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