O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou nesta quinta-feira (13) 1.008 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, em Belém (PA). Segundo a prefeitura da cidade, serão cerca de 5.040 pessoas do Residencial Viver Outeiro beneficiadas. Ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), o petista afirmou que não vai “enfeitar” a capital paraense para receber, em novembro deste ano, a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). “Nós temos pobres, mas temos orgulho”, destacou Lula.“Nós vamos fazer a COP aqui. Não tem problema que Belém seja do jeito que for, que o povo seja do jeito que for. É aqui. Eles têm que saber quanto dói uma picada de carapanã [mosquito]. Eles têm que saber porque é bom. Eles têm que saber que aqui é um povo extraordinariamente alegre, é um povo feliz, é um povo trabalhador. E eles vão ver como é que a gente vive. Eu não vou enfeitar, eu não vou tirar pobre da rua, eu não vou fazer o que não é possível fazer. Eu quero que eles vejam a nossa Belém do jeito que ela é. Se não tiver hotel cinco estrelas, durma no de quatro. Se não tiver de quatro, durma no de três. Se não tiver de três, durma na estrela do céu do mundo, olhando para o céu, que vai ser maravilhoso. O que eu posso dizer para vocês é que, com todos os defeitos, com todas as deficiências, vamos fazer a COP que ninguém nunca mais vai esquecer, que é a COP30 em Belém”, afirmou.As obras do Residencial Viver Outeiro, contratadas em fevereiro de 2014, estavam paradas desde setembro de 2021 e foram retomadas no início de 2023. O empreendimento custou R$ 95,6 bilhões, a maioria de recursos federais — a prefeitura de Belém aplicou R$ 1,6 bilhão. As unidades habitacionais têm 43,85m², com dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço. Das 1.008 casas, 31 são adaptadas para pessoas com deficiência.Ao declarar que, em termos de infraestrutura, seria mais fácil fazer a COP30 em São Paulo (SP) ou no Rio de Janeiro (RJ), Lula aproveitou para cobrar novamente os países ricos por mais investimentos para a preservação ambiental. “Como é que alguém, um francês, um inglês, um alemão, um japonês podem dar palpite na nossa floresta? Ela é nossa. Agora, se eles já desmataram a deles e eles quiserem que a gente mantenha em pé, a gente tem obrigação de manter em pé, poque a gente sabe que o mundo está precisando. Mas eles têm que saber que embaixo de cada copa de árvore a gente tem um trabalhador, um índio, um quilombola, um pescador, um seringueiro, um extrativista que precisa viver. Então, eles [países ricos] têm que pagar”, cobrou. Lula segue em Belém nesta sexta-feira (14), quando deve visitar algumas obras da COP30 — são cerca de 30 espalhadas pela cidade. Os empreendimentos são feitos em parceria do governo federal, do estado do Pará e da Prefeitura do município. As iniciativas incluem os eixos de mobilidade, saneamento, desenvolvimento urbano, turismo e conectividade — como a revitalização das bacias do Tucunduba, Una e Tamandaré e das avenidas Visconde de Souza Franco e a Almirante Tamandaré.O complexo do Mercado Ver-o-Peso, maior atração turística de Belém, também vai passar por reformas. O Governo do Pará tem modernizado o sistema de saneamento do local — é a primeira intervenção sanitária em quase quatro séculos de existência da atração, segundo o Executivo estadual.