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Membros do G7 e convidados fecham comunicado sem críticas à Rússia

Texto assinado por Lula foca a segurança alimentar; presidente tem adotado postura neutra diante do conflito no leste da Europa

Brasília|Do R7, com informações da Agência Estado


Reunião da cúpula do G7, neste sábado (20)
Reunião da cúpula do G7, neste sábado (20)

Os países-membros do G7 e seus convidados para a cúpula do grupo em Hiroshima, no Japão, fecharam um comunicado conjunto neste sábado (20), sem críticas à Rússia pela guerra na Ucrânia e com foco na segurança alimentar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é um dos signatários do documento.

Na prática, o texto — resultante da reunião entre os chefes de governo presentes — alivia o impasse no qual estava mergulhado o presidente brasileiro, que resistia a assinar qualquer comunicado potencialmente hostil a Moscou.

No comunicado exclusivo dos países-membros do G7, porém, o tom elevado contra a Rússia foi uma marca, que será reforçada no final da cúpula. Enquanto o grupo formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido é coeso no apoio à Ucrânia, Lula e outros líderes de países em desenvolvimento preferem adotar postura que chamam de neutra.

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No texto conjunto de hoje, os signatários se comprometem a trabalhar juntos para responder ao agravamento da crise de segurança alimentar global, ampliada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. O peso do conflito é reconhecido.

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"A guerra na Ucrânia agravou ainda mais a atual crise de segurança alimentar em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos. Observamos com profunda preocupação o impacto adverso da guerra na Ucrânia e enfatizamos que ela está causando imenso sofrimento humano e exacerbando as fragilidades existentes na economia global", diz o comunicado.

Na semana passada, o embaixador Maurício Lyrio, secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros, afirmou que o Brasil negociaria esse texto de forma a manter o tom neutro adotado pelo país quando o assunto é a guerra.

"Como é uma declaração sobre segurança alimentar e há efeitos do conflito na Ucrânia sobre o acesso a alimentos, e nós sabemos disso, uma referência inicial deverá ser feita ao conflito na Ucrânia. E, naturalmente, o governo brasileiro negocia essa linguagem para que seja compatível com a linguagem que o Brasil tem usado sobre o tema", declarou o diplomata.

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Ao longo da declaração, o G7 e seus convidados se comprometem, inclusive, a apoiar as exportações de grãos da Ucrânia e da própria Rússia como forma de evitar um desabastecimento na cadeia global de suprimentos. Os grãos russos não foram alvo de sanções por seu papel relevante na alimentação da humanidade.

"Estaremos trabalhando em conjunto para responder à atual crise de segurança alimentar, inclusive apoiando a exportação de grãos da Ucrânia e da Rússia, com a expansão e extensão do BSGI (Iniciativa de Grãos do Mar Negro)", dizem os signatários, entre os quais Lula.

BSGI é um acordo da comunidade global que permite a exportação de grãos pelo mar Negro, como forma de garantir o abastecimento mundial apesar da guerra. Nesta semana, a Rússia renovou por mais 60 dias seu compromisso com o tratado.

"Apelamos a todos os participantes da BSGI que continuem a implementar plenamente sua operacionalização, em seu potencial máximo e pelo tempo que for necessário, e enfatizamos a importância de permitir que os grãos continuem a chegar aos que mais necessitam", diz o texto conjunto.

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