Mercado ilegal gera prejuízo de R$ 514 bilhões ao Brasil e avança sobre medicamentos
Diretor de entidade afirma que produtos sem procedência representam risco à saúde e podem financiar o crime
Brasília|Flávia Alvarenga, da RECORD Brasília, e Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O mercado ilegal e de produtos piratas provocou um prejuízo recorde de R$ 514 bilhões no Brasil em 2025, segundo o presidente da ABCF (Associação Brasileira de Combate à Falsificação), Rodolpho Ramazzini.
O valor considera perdas de arrecadação tributária e de faturamento das indústrias legalmente estabelecidas e inclui falsificação, contrabando, pirataria e outros produtos comercializados de forma irregular.
Em entrevista concedida ao programa JR Entrevista, Ramazzini disse que, para frear essa escalada, é necessário modernizar a fiscalização em portos e fronteiras e a aplicação de tecnologia de rastreabilidade desde as linhas de produção até o balcão final. Segundo ele, o país precisa mudar a estratégia de combate ao crime.
“Não adianta mais fazer só o follow the money, a gente tem que fazer o follow the product, ou seja, seguir esse produto da importação e da produção até a casa das pessoas”, defendeu o diretor.
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A íntegra da entrevista com Ramazzini vai ao ar às 22h30 desta quarta-feira (30), na RECORD News. O programa também estará disponível no R7, nas redes sociais da RECORD e no RecordPlus.
Ramazzini apelou para a conscientização dos consumidores sobre o impacto direto de comprar produtos piratas ou sem procedência garantida. Ele lembrou que a economia informal ilegítima financia a própria insegurança das cidades.
“Quando você compra uma bebida falsificada, um cigarro, uma gasolina adulterada, um produto falso, você está pondo dinheiro nas mesmas facções que enchem nossas cidades de drogas, armas e violência, e a gente não pode aceitar isso”, concluiu.
O avanço do mercado ilegal também é impulsionado pelo comércio eletrônico. Segundo a ABCF, a participação das vendas pela internet no volume de produtos ilegais passou de 8% antes da pandemia para 36%.
Além de medicamentos sem registro ou de origem desconhecida, operações policiais têm apreendido lotes adulterados de produtos essenciais da cesta básica, como leite em pó, azeite de oliva e pescados.
Canetas emagrecedoras
O avanço desse mercado também chegou aos medicamentos, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras. Ramazzini afirmou que o crescimento das apreensões desse tipo de produto representa uma ameaça à saúde pública.
“É a próxima epidemia que nós vamos viver. Já estamos vivendo”, frisou.
Segundo ele, o risco associado ao consumo de produtos falsificados ou clandestinos está relacionado à falta de controle sanitário sobre a fabricação. O diretor da ABCF comentou que as canetas são comercializadas sem garantia sobre a procedência dos componentes ou sobre os padrões utilizados na produção.
“É um produto feito sem nenhum padrão de qualidade. Não se sabe de onde vem esse princípio ativo, não se sabe como ele é manipulado, e isso é gravíssimo”, afirmou Ramazzini.
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