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Na Papudinha, ex-presidente Jair Bolsonaro completa três meses preso em regime fechado

Antes de ir para carceragem onde se encontra, político ficou quase dois meses em cela da PF, em Brasília, após violar tornozeleira

Brasília|Jéssica Eufrásio, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Jair Bolsonaro completa três meses preso em regime fechado no Complexo Penitenciário da Papuda.
  • Ele foi transferido após violar as regras de seu monitoramento eletrônico, levando à sua prisão preventiva.
  • Bolsonaro cumpre pena por crimes como liderança de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
  • Enquanto está preso, o ex-presidente continua recebendo visitas e se envolvendo em articulações políticas eleitorais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Atualmente, Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento em trama golpista Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - Arquivo

O ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) completa, neste domingo (22), três meses preso em regime fechado. O político cumpria pena domiciliar, mas acabou transferido da casa onde morava, no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF), para uma cela na Superintendência da PF (Polícia Federal) e, depois, para o Complexo Penitenciário da Papuda, ambos na capital do país.

No último dia 22 de novembro, o Cime (Centro de Integração de Monitoração Eletrônica) do Distrito Federal detectou, por volta da 0h08, uma possível violação da tornozeleira usada por Bolsonaro e enviou comunicado sobre o fato ao STF (Supremo Tribunal Federal). O registro ocorreu horas depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocar uma vigília de orações em nome da saúde e pela anistia do pai, às 19h, em frente ao Solar de Brasília.


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O alerta sobre a violação da tornozeleira na mesma data em que estava marcado o evento com apoiadores levou o ministro do STF Alexandre de Moraes a determinar a prisão preventiva do ex-presidente. A medida também atendeu a pedido da PF, que viu na vigília um possível risco aos policiais que monitoravam o residencial, aos possíveis participantes dela e a Bolsonaro.

No documento, o ministro mencionou que a prisão deveria ser cumprida sem exposição midiática ou uso de algemas. Por volta das 6h daquele sábado, Bolsonaro foi detido. Ele confessou ter usado um ferro de solda para tentar romper o item de monitoramento que usava desde agosto de 2025, e policiais federais o levaram para uma cela de Estado reservada para autoridades, na Superintendência da PF em Brasília.


O espaço tinha cerca de 12 metros quadrados, cama, armários, banheiro exclusivo, televisão, frigobar e ar-condicionado. Três dias depois, Alexandre de Moraes decidiu que Bolsonaro começaria a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão pelos seguintes crimes:

  • Golpe de Estado;
  • Dano contra o patrimônio da União;
  • Liderança de organização criminosa;
  • Deterioração de patrimônio tombado; e
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Moraes também estabeleceu que o processo ao qual Bolsonaro respondia e do qual era relator transitou em julgado; assim, não caberiam mais recursos contra a condenação do ex-presidente, decretada em 11 de setembro de 2025.


Em 15 de janeiro último, Alexandre de Moraes determinou a transferência de Bolsonaro para o 19º BPM (Batalhão de Polícia Militar) do Distrito Federal, a Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele está preso atualmente na sala de Estado-Maior da carceragem, espaço também reservado para autoridades.

Com 64,82 m² de área total, a infraestrutura do espaço é privativa e inclui banheiro com chuveiro e água quente; cozinha com geladeira; armários; lavanderia; quarto com cama de casal; televisão; área externa para banho de sol e prática de exercícios físicos; além de cinco refeições diárias e atendimento médico 24 horas por dia.


O político também tem direito a receber visitas — inclusive simultâneas —, durante dois dias da semana, em três horários diferentes, nas áreas interna e externa da carceragem.

As críticas constantes à cela em que Bolsonaro ficava na PF levou à determinação da transferência, assinada por Alexandre de Moraes. Na decisão, porém, o ministro ressaltou que o cumprimento da pena ocorria com “absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”. Além disso, lembrou que os mais de 384,5 mil outros presos em regime fechado no país não contavam com os mesmos privilégios aos quais Bolsonaro tinha acesso.

Articulação eleitoral em visitas

Desde que mudou do regime domiciliar para o fechado, Bolsonaro não deixou de receber visitas de parentes e aliados. Entre os principais assuntos tratados com figuras da política — além da definição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República, divulgada em 25 de dezembro último — estão as movimentações eleitorais para o pleito deste ano.

Nesse sábado (21), os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Sanderson (PL-RS) se encontraram com o ex-presidente para tratar dessas costuras. Ainda estão indefinidas, por exemplo, quem será o vice de Flávio e quais os nomes que vão compor as chapas do PL (Partido Liberal) nos estados para o Senado Federal.

Os encontros têm transformado a Papudinha em uma espécie de “comando eleitoral” do bolsonarismo, onde políticos da direita tentam construir alianças e estabelecer possíveis candidaturas. No último dia 29, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitou o ex-presidente e, após o encontro, confirmou que vai concorrer à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

No fim de novembro, Bolsonaro teve mais de 15 visitas autorizadas pelo STF — com exceção daquelas de parentes e médicos. Jair estava interessado em receber o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, mas, por decisão de Moraes, ambos estão proibidos de se encontrar.

Também passaram pela Papudinha o líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Gilberto Silva (PL-PB), que recebeu orientações políticas de Bolsonaro; o ex-secretário de Assuntos Fundiários do ex-presidente, Luiz Antonio Nabhan Garcia; o senador Wilder Morais (PL-GO); além dos senadores Bruno Bonetti (PL-RJ) e Carlos Portinho (PL-RJ), líder do partido no Senado.

Para as próximas semanas, estão previstas as visitas do líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN); do ex-assessor de Bolsonaro José Vicente Santini; dos deputados federais Marco Feliciano (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF); e do secretário de de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro, Anderson Luis de Moraes.

Monitoramento e condenação

Em julho de 2025, Alexandre de Moraes determinou as primeiras medidas cautelares contra Bolsonaro. Elas incluíam o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento noturno e aos fins de semana, bem como a proibição de acesso a embaixadas e a mídias sociais.

Contudo, e apesar de advertências claras de que entrevistas, discursos ou vídeos veiculados por terceiros também configurariam descumprimento, o ex-presidente apareceu em gravações divulgadas por aliados. Assim, em 4 de agosto, Moraes estabeleceu medidas mais severas em desfavor do então réu.

O motivo envolveu repetidas violações das determinações judiciais impostas pelo STF, como conduta “deliberada e consciente” para “obstruir investigações, coagir autoridades e desrespeitar a Justiça”. Entre as novas restrições estavam: veto total a visitas — exceto de advogados; não usar celulares; proibição de fazer gravações e de acessar qualquer forma de comunicação com embaixadores ou demais investigados. O ministro reiterou que a violação a quaisquer dos termos resultaria em imediata prisão preventiva.

Pedidos de prisão domiciliar e laudo pericial

Desde que Bolsonaro deixou a prisão domiciliar, os advogados dele tentam conseguir que o ex-presidente volte para casa. Entre as alegações apresentadas para justificar o pedido estão a estrutura das prisões em que o político ficou e o estado de saúde dele.

No entanto, a partir do momento em que passou a cumprir medidas restritivas de liberdade, Bolsonaro foi autorizado mais de uma vez a receber atendimento médico em hospitais particulares — onde passou por consultas, exames e cirurgia. Além disso, depois da transferência para a Papudinha, declarou que as instalações da carceragem no 19º BPM eram melhores do que as da cela na PF.

Diante dos repetidos pedidos da defesa, peritos da corporação avaliaram a saúde do ex-presidente, bem como diagnósticos emitidos anteriormente, riscos clínicos e as condições necessárias para o cumprimento da pena em ambiente prisional.

Entre os pontos destacados em um laudo enviado ao STF estavam: estabilidade clínica do preso, com doenças crônicas sob controle com remédios e acompanhamento médico, e quadro sem exigência de internação hospitalar. O documento confirmou a existência de risco de morte, mas exclusivamente condicionado à ausência de tratamento e monitoramento adequados.

O relatório descartou a existência de quadros de depressão, anemia, pneumonia bacteriana recorrente e perda severa de massa muscular; porém, apontou sinais de desequilíbrio na marcha e instabilidade em testes físicos, o que tende a aumentar o risco de quedas, especialmente devido ao uso de vários remédios.

Diante disso, os médicos da PF recomendaram uma investigação neurológica complementar para identificar a causa desse problema e sugeriram adaptações no espaço da carceragem, como instalação de barras de apoio e sistemas de emergência, para reduzir o risco de acidentes.

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