Brasília 'Não vai nem andar', diz Mourão sobre eventual CPI da Petrobras

'Não vai nem andar', diz Mourão sobre eventual CPI da Petrobras

Jair Bolsonaro comanda articulação para que a gestão da estatal seja investigada pelos parlamentares no Congresso Nacional

  • Brasília | Plínio Aguiar, do R7, em Brasília

O vice-presidente Hamilton Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão

Alan Santos/PR

Após o presidente Jair Bolsonaro articular a abertura de uma CPI para apurar supostas irregularidades na Petrobras, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, nesta segunda-feira (20), que eventual investigação contra a estatal "não vai nem andar".

"Não tem nem tempo. Nós estamos aí andando já em fase quase eleitoral, né? Vamos falar assim: mais um mês e meio, inicia a campanha eleitoral. Então acho difícil que uma CPI vá andar nesse momento", disse Mourão.

A articulação para que a estatal seja alvo de uma investigação feita por congressistas é comandada por Jair Bolsonaro. "Eu conversei agora, há poucos minutos, com o Arthur Lira [presidente da Câmara dos Deputados]. Ele está nesse momento reunido com líderes partidários, e a ideia nossa é propor uma CPI para investigar o presidente da Petrobras, os seus diretores e também o conselho administrativo e fiscal", disse o presidente, na sexta (17).

"Porque nós queremos saber se tem algo errado nessa conduta deles. Porque é inconcebível se conceder um reajuste com o combustível lá em cima e com os lucros exorbitantes que a Petrobras está tendo", prosseguiu Bolsonaro.

No mesmo dia, a estatal anunciou que reajustaria o preço da gasolina e do diesel para as distribuidoras a partir do sábado (18). Com a atualização, o preço médio de venda da gasolina passará de R$ 3,86 para R$ 4,06 por litro – alta de 5,2%. O valor do diesel subirá 14,3%, passando de R$ 4,91 para R$ 5,61 o litro.

Com a mistura obrigatória de 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro para a composição da gasolina comercializada nos postos, a parcela da Petrobras no preço para os motoristas passará de R$ 2,81, em média, para R$ 2,96 a cada litro vendido nos postos. É o primeiro reajuste do combustível em 99 dias.

Em artigo divulgado recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que o então presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, era "ilegítimo". Mourão foi questionado sobre a declaração do parlamentar, que tem feito pressão na estatal diante da alta dos preços dos combustíveis no país e chegou a pedir que o químico renunciasse ao posto.

"Ah, pô, isso aí tem que ser votado no Conselho de Administração, né? Então não é desse jeito, né? Isso tudo é opiniões, né? Que hoje é um tumulto de opinião geral", completou Mourão.

Dança das cadeiras

Mais cedo, a Petrobras anunciou Fernando Borges como presidente interino da estatal. Ele será o substituto de José Mauro Ferreira Coelho, que pediu demissão do cargo. Borges é diretor-executivo de Exploração e Produção e foi nomeado pelo Conselho de Administração, em decorrência da vacância na presidência da companhia.

De acordo com a Petrobras, Borges, que é funcionário de carreira, ficará no posto até a eleição e a posse de novo presidente da estatal. O governo havia indicado o secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, Caio Mário Paes de Andrade, para o cargo.

Mauro tomou posse no dia 14 de abril deste ano. À época, argumentou que a redução da dívida bruta da estatal, em pouco menos de R$ 60 bilhões, abria espaço para investimentos, e que havia a intenção de reduzir os custos de extração de petróleo, com o objetivo de aumentar a produtividade.

Coelho substituiu o general Joaquim Silva e Luna, demitido por Bolsonaro no fim de março. Na ocasião, o presidente chegou a dizer que o comando da estatal precisava de "alguém mais profissional". Após a decisão, o militar defendeu a gestão à frente da estatal e as decisões adotadas, alvo de críticas por parte do governo em razão dos sucessivos repasses de aumentos no preço dos combustíveis ao consumidor.

O químico foi o terceiro a ocupar o posto na estatal durante o governo Bolsonaro, depois de Joaquim Silva e Luna e Roberto Castello Branco. Ele deixou o comando da estatal pelos mesmos motivos que seus antecessores: os reajustes feitos no preço dos combustíveis, que têm incomodado Bolsonaro no ano em que busca a reeleição e aparece em segundo lugar nas pesquisas eleitorais.

Bolsonaro critica de forma recorrente a política de preços da Petrobras, que adota o modelo PPI (preço de paridade internacional), o que faz com que o preço de gasolina, etanol e diesel acompanhe a variação do valor do barril de petróleo no mercado internacional.

Últimas