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Novo adiamento faz relator criticar boicote à reforma tributária: 'indignado'

Senador Roberto Rocha (PTB-MA) diz que 'lobby de poderosos' atrasa debate na CCJ; análise da reforma este ano está mais remota

Brasília|Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

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Senador Roberto Rocha, relator da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça
Senador Roberto Rocha, relator da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça

Depois de uma nova tentativa de votação da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado ser frustrada, o relator Roberto Rocha (PTB-MA) disse que há um boicote à matéria na comissão causado por um "lobby de poderosos". Ele também afirmou estar indignado com a postura de colegas.

A matéria foi pautada para análise da comissão nesta terça-feira (31), mas a votação foi adiada após manobra de obstrução, com o não registro de presença dos senadores para impedir a abertura da sessão por falta de quórum mínimo. "Quem é contra deveria apresentar uma proposta melhor, e não simplesmente boicotar a votação. Não dá para ter um Parlamento onde não se legisla", disse o relator.

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"Se há um dia nesses oito anos de mandato que eu estou decepcionado com o meu Parlamento é hoje, porque o presidente Rodrigo Pacheco tem demonstrado interesse de votar, mas percebe-se que é uma luta em vão, porque há movimentos de um lobby poderossísimo, que não é de pobre. Qual o pobre que vai sair prejudicado?", questionou.

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O relator defendeu o texto da reforma, dizendo que foi o projeto da área que mais avançou no país. Ele ressaltou que a matéria trata de uma reforma da base de consumo, onde está a maior parte da população brasileira, sobretudo, a mais pobre.

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"Quando o pobre recebe recurso, mal dá para a base de consumo, e lá tem ICMS, ISS, impostos indiretos e os mais severos. De modo que, no Brasil, quem mais paga imposto proporcional é o pobre, não o rico. Nessa proposta, por exemplo, estamos incluindo IPVA para avião, helicóptero e iate. Atualmente, só moto e carro paga IPVA. Não é justo. Claro que isso fere interesses, mas de quem?", questionou.

O relator frisou que em nenhum momento foi abordado por lobby para tratar de assuntos que importam à camada mais pobre do país, como o preço do gás de cozinha ou da passagem de transporte coletivo.

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"Há interesses fortísismos que há 50 anos trabalham neste país para termos um pandemônio tributário onde pouquíssimos ganham muito dinheiro com isso e que tem força, infelizmente, até para evitar uma votação", acusou.

Diante da insatisfação, Rocha afirmou que avalia deixar a CCJ e a relatoria do projeto, que está com ele há três anos. "Estou avaliando a possibilidade de me retirar da CCJ. Até porque fui indicado pelo PSDB, partido que eu não pertenço mais. Por uma gentileza do PSDB, ainda continuo como membro, mas percebo que a minha presença pode ser dispensável a muitos senadores", disse.

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Zona Franca de Manaus

Zona Franca de Manaus foi citada pelo senador
Zona Franca de Manaus foi citada pelo senador

Ao ser questionado de onde parte o lobby, ele citou nominalmente a Zona Franca de Manaus, o que envolve senadores do estado que trabalham contra o projeto, em especial o líder do MDB, Eduardo Braga, e o senador Omar Aziz (PSD).

Apesar de a matéria não agradar os senadores da região, o relator ressaltou que a zona tem seus direitos garantidos constitucionalmente, mas que mesmo assim "tudo o que se faz é pouco". "Há uma tendênia de defender um discurso fácil para poder agradar aqueles que estão na direção das urnas", afirmou.

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A reportagem apurou que não houve acordo para levar a matéria para análise da comissão nesta semana. A ação foi uma tentativa do presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que quis aproveitar a semana do esforço concentrado, com análise de indicação de autoridades, com a expectativa de ter um quórum alto para conseguir aprovar o assunto no plenário. Desde o início do ano o senador diz que a reforma é prioridade no Senado, mas o texto segue travado na CCJ.

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