Brasília 'O poder moderador é o povo brasileiro', diz Bolsonaro em PE

'O poder moderador é o povo brasileiro', diz Bolsonaro em PE

Presidente da República saiu de Santa Cruz do Capibaribe rumo a Caruaru, onde discursou para os presentes e mencionou ruptura

  • Brasília | Luiz Calcagno, do R7, em Brasília

Jair Bolsonaro participou de uma motociata no agreste de Pernambuco neste sábado

Jair Bolsonaro participou de uma motociata no agreste de Pernambuco neste sábado

LEANDRO DE SANTANA/AGÊNCIA PIXEL PRESS/Estadão Conteúdo - 04.09.2021

O presidente da República, Jair Bolsonaro, aproveitou a mobilização de apoiadores para o 7 de Setembro para realizar uma motociata em Pernambuco. Bolsonaro saiu de Santa Cruz do Capibaribe (PE), a única cidade no estado em que o chefe do Executivo venceu o segundo turno das eleições no estado, rumo a Caruaru. Após o evento, o presidente discursou para apoiadores e disse que "o poder moderador é o povo brasileiro".

"Hoje, o Brasil tem um presidente da República que acredita em Deus, que respeita os seus militares, que defende a família tradicional e deve lealdade ao seu povo. No próximo dia 7, terça-feira, dia da Pátria, todos nós temos um encontro com nosso destino. Enquanto juristas procuram quem é o poder moderador no Brasil, eu digo a todos que o poder moderador é o povo brasileiro", afirmou.

Bolsonaro disse, ainda, que nenhum dos presidentes dos três Poderes é mais soberano do que o povo e, então, mandou indiretas para ministros do STF. “Temos um ou outro saindo da normalidade, um ou dois saindo das quatro linhas da Constituição. Nós jogamos dentro das quatro linhas, mas o povo, como poder moderador, não pode admitir que nenhum de nós jogue fora dessas quatro linhas. Um dos direitos inalienáveis que temos no Brasil é a liberdade de expressão. Não se pode admitir que uma pessoa, usando de seu cargo, não interessa em que poder ele esteja, tire da população esse direito. A nossa independência, nossa outra independência, agora, dia 7, todos ouvirão o clamor de vocês”, afirmou.

“E não estaremos lá apenas para fazer figuração. Estaremos lá para mostrar a todos que não admitiremos mais quem quer que seja ignorar a nossa Constituição. Os nossos movimentos sempre foram pacíficos, ordeiros. Nunca teve atos de vandalismo. Tenha certeza que o retrato da imagem na Esplanada, onde estarei pela manhã, bem como à tarde, na Paulista, o retrato do povo servirá para mostrar para esses que ousam não respeitá-los, que ousam não se submeter à nossa Constituição. Esses serão colocados no seu devido lugar”, completou o presidente.

Ruptura institucional

Ao fim do discurso, Bolsonaro mandou indiretas ao STF e aos ministros Alexandre de Moraes e Roberto Barroso. “Não podemos admitir que um ou dois homens ameacem a nossa democracia ou a nossa liberdade. Se aparece um dos meus 23 ministros e tem um comportamento fora da Constituição, eu chamo a atenção dele e, se não se enquadrar, eu demito. O mesmo ocorre com a Câmara, o Senado, com o Conselho de Ética. O nosso STF não pode ser diferente do Poder Executivo ou Legislativo. Se lá tem alguém que ousa continuar agindo fora das quatro linhas, aquele poder tem que chamar essas pessoas e enquadrá-las. E lembrar que ele fez o juramento para cumprir a Constituição”, afirmou Bolsonaro.

“Se assim não ocorrer com qualquer um dos três Poderes, a tendência é acontecer uma ruptura. Ruptura que não quero e nem desejo. E tenho certeza que nem o povo assim o quer. Mas a responsabilidade cabe a cada Poder. Eu apelo a esse outro poder que reveja a ação dessa pessoa que está prejudicando o destino do Brasil. Poderíamos até estar aqui por outro motivo. Mas estamos empenhados em lutar pela nossa liberdade e nossa dignidade”, declarou.

Além dos motociclistas, pedestres fizeram um corredor pelas ruas Santa Cruz do Capibaribe durante a passagem do mandatário. Essa é a décima motociata do ano e o presidente tem se esforçado para manter as bases nas ruas e em atividade. Há forte tensão política nas expectativas para o 7 de setembro. O principal receio é que os atos espalhados pelo país sejam violentos.

 Em 23 de agosto, por exemplo, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), afastou um comandante da Polícia Militar por indisciplina. Aleksander Lacerda fez postagens chamando PMs na ativa para os protestos e atacando ministros do Supremo. Já o presidente da República, em discurso em evento no Rio de Janeiro, afirmou que "quem quer paz, prepare-se para a guerra”.

As falas ganham relevância devido a tensão entre os poderes. Bolsonaro tem repetido que os protestos serão um recado para a Suprema Corte e uma manifestação a favor do voto impresso.

Crise entre os poderes

O mandatário tem feito críticas, ao mesmo tempo, a governadores e a ministros do Supremo Tribunal Federal. De um lado, ataca os ministros Luis Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Alexandre de Moraes, relator do inquérito das Fake News, e de outro, culpa os chefes de Executivo locais pelo alto preço da gasolina.

No último movimento, nesta sexta (3/9), o presidente da República protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) por omissão contra o Congresso Nacional, por não agir para unificar a cobrança de ICMS sobre combustíveis. O advogado-geral da União, Bruno Bianco Leal, assina o documento.

Embora Bolsonaro culpe os governadores, por meio de nota, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) afirmou, ainda no início do ano, que a política de reajuste de preços da Petrobras baseada "na paridade do mercado internacional, repassando ao preço dos combustíveis toda a instabilidade do cenário externo do setor e dos mercados financeiros internacionais". Além disso, as manifestações antidemocráticas de Bolsonaro também contribuíram para o aumento do dólar no Brasil.

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