Brasília O que se sabe uma semana após o desaparecimento de jornalista britânico e indigenista na Amazônia

O que se sabe uma semana após o desaparecimento de jornalista britânico e indigenista na Amazônia

Bruno Araújo e Dom Phillips foram vistos pela última vez há uma semana. Não há nenhuma pista sobre o paradeiro de ambos 

AFP
Jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo

Jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo

Redes sociais/Reprodução

As buscas pelo jornalista britânico Dom Phillips e pelo especialista indigenista Bruno Araújo Pereira, desaparecidos em uma região remota da Amazônia brasileira, completam uma semana neste domingo (12) em meio a questionamentos e pressões para que o governo redobre seus esforços.

Os desaparecidos
Phillips, de 57 anos, é colaborador do jornal britânico The Guardian e trabalha no Brasil há 15 anos. Apaixonado pela Amazônia, onde escreveu dezenas de reportagens, o jornalista estava na região havia vários dias trabalhando em um livro sobre preservação ambiental e desenvolvimento local, com o apoio da fundação Alicia Patterson.

Pereira, de 41 anos, é um especialista da Fundação Nacional do Índio (Funai) e um conhecido defensor dos direitos indígenas. Foi coordenador regional da Funai em Atalaia do Norte, município por onde viajava com Phillips quando desapareceram. Seu trabalho em defesa dos povos indígenas lhe rendeu ameaças regulares de grupos criminosos.

As circunstâncias
Phillips e Pereira foram vistos pela última vez na manhã do último domingo (5), na comunidade São Gabriel, não muito longe de seu destino, onde navegavam pelo rio Itaquaí. Haviam viajado até a região de Lago do Jaburu e deveriam retornar à cidade de Atalaia do Norte, a cerca de duas horas de barco. Pereira acompanhava o jornalista britânico como guia, na segunda viagem da dupla por essa região isolada da Amazônia desde 2018.

Uma zona "complexa"
O jornalista e o especialista indígena desapareceram no Vale de Javari, uma área densa da selva amazônica onde vivem 26 povos indígenas, muitos deles isolados. As autoridades alertaram para a "complexidade" da área, devido ao fato de que ali operam garimpeiros, madeireiros e pescadores ilegais.

Além disso, o tráfico de drogas tem uma presença cada vez maior nos últimos anos, utilizando a região como um importante corredor para o transporte de drogas produzidas no Peru e na Colômbia, países que fazem fronteira com a região. Atalaia do Norte, uma pequena cidade de 20.000 habitantes, está comovida pelo desaparecimento.

"Infelizmente, vivemos aqui na nossa região de fronteira e o que posso afirmar como cidadã é que não temos uma segurança", disse à AFP Marivalda Rabelo, recepcionista da pousada onde Phillips e Pereira se hospedaram antes de desaparecerem.

"Rezamos, nunca sabemos que imprevisto pode acontecer", acrescentou Rabelo, que teme que, se for um ato criminoso, fique impune em um lugar que já virou manchete por casos não resolvidos.

A investigação
Até agora, a busca resultou na prisão de apenas um único suspeito: Amarildo da Costa, de 41 anos, que foi visto por testemunhas em uma lancha seguindo em alta velocidade o barco em que Phillips e Pereira viajavam. Não está clara sua implicação no caso.

Peritos realizam testes em uma mancha de sangue encontrada no barco do detento. Além disso, na sexta-feira (10), a equipe de busca encontrou material "aparentemente humano" próximo ao porto de Atalia do Norte, que também está sendo analisado.

Até o momento, não há conhecimento de nenhuma pista sobre o paradeiro de ambos ou do barco em que navegavam.

O governo federal tem recebido críticas de ativistas, organizações internacionais e da Justiça brasileira pela suposta lentidão e falta de coordenação nas buscas.

Na sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso deu cinco dias ao governo para apresentar um relatório com todas as providências tomadas e os dados obtidos até o momento.

O presidente Jair Bolsonaro, que na terça-feira (7) descreveu a expedição realizada por Phillips e Pereira como uma "aventura não recomendada", disse na Cúpula das Américas que as Forças Armadas e a polícia realizam uma "busca incansável" desde o primeiro dia e pediu a Deus que "sejam encontrados com vida".

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