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Pacheco agradece Lula por sancionar renegociação da dívida dos estados com a União

Governadores de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, contudo, criticaram vetos parciais feitos pelo presidente

Brasília|Rute Moraes, do R7, em BrasíliaOpens in new window

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Pacheco agradece Lula por sancionar renegociação da dívida dos estados com a União Saulo Cruz/Agência Senado - 20 de dezembro de 2024

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), agradeceu nesta terça-feira (14) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sancionar a lei que cria o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados). De autoria de Pacheco, o texto revisa os termos das dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União, além de auxiliar na recuperação fiscal dos governos estaduais em todo o país.

Lula, porém, vetou 11 trechos da proposta que estavam relacionadas às mudanças feitas pela Câmara dos Deputados, mas a estrutura do texto foi mantida, incluindo a redução dos juros, a federalização de estatais e a prorrogação do prazo para o pagamento da dívida.

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“O momento é de agradecer ao presidente Lula pela sanção do Propag e aproveitar a oportunidade que os estados terão para equacionar um problema histórico. Por meio desse programa, o governo federal abre mão de receber juros, permite o alongamento da dívida em 30 anos e aceita receber ativos diversos como pagamento”, disse o senador em nota.

“É a chance de conciliar o pagamento efetivo da dívida com os investimentos que o estado precisa em diversas áreas, e sem impor aos servidores públicos os ônus injustos do RRF. Isso é bastante significativo e precisa ser reconhecido”, continuou.

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Em troca dos benefícios, os estados devem investir em áreas como educação, saneamento, habitação, adaptação às mudanças climáticas, transporte e segurança pública.

O programa surge em um momento em que os estados buscam alívio financeiro, especialmente após os desastres climáticos no Rio Grande do Sul. Quatro unidades da federação concentram 89,4% das dívidas estaduais: Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Juntos, eles somam R$ 683,9 bilhões dos R$ 764,9 bilhões que os estados devem à União.

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Os estados endividados poderão reduzir as dívidas transferindo ativos para a União, como bens, imóveis e empresas estaduais. No caso de Minas Gerais, é esperado que o estado transfira as estatais Cemig, Copasa, Codemig e Gasmig como parte desse processo.

A lei brasileira exige que o presidente justifique os vetos por meio de uma mensagem ao presidente do Senado. Segundo a publicação, a retirada de alguns trechos foi feita com base em orientação do Ministério da Fazenda. Ao todo, foram aplicados 11 vetos.

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VEJA AQUI AS JUSTIFICATIVAS DOS VETOS

Entre as justificativas apresentadas estão uma possível assimetria “no que tange aos aportes e aos recebimentos do Fundo de Equalização Financeira, comprometendo sua função redistributiva”, conflitos com outras leis já publicadas e vício de inconstitucionalidade.

Governadores criticam vetos de Lula

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou os vetos feitos por Lula e disse que o governo “quer que os estados paguem a conta de sua gastança”.

“Com vetos ao Propag, Lula quer obrigar os mineiros a repassar R$ 5 bi a mais em 25/26, apesar do recorde de arrecadação federal: R$ 2,4 trilhões em 2024. É dinheiro pra sustentar privilégios e mordomias. Enquanto os estados lutam para equilibrar contas, o Planalto mantém 39 ministérios, viagens faraônicas, gastos supérfluos no Alvorada e um cartão corporativo sem transparência. Até quando o contribuinte vai bancar essa desordem?”, questionou o mineiro.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), disse ter recebido os vetos com “extrema preocupação e indignação” e que a perda para o estado será de R$ 5 bilhões. “Os vetos trazem um prejuízo inaceitável para o povo gaúcho, gerando uma perda de cerca de R$ 5 bilhões dos valores que deveriam ficar aqui para investimentos na reconstrução após as enchentes”, escreveu nas redes sociais.

Leite destacou que, com os vetos de Lula, para aderir ao programa, o estado estará “obrigado a repassar valores para um fundo, criado para compensar os estados em melhor situação fiscal”.

“Na prática, voltaríamos a repassar valores à União, contrariando a suspensão da dívida pelo período de três anos, cujos valores estão sendo destinados ao Fundo do Plano Rio Grande para reconstrução”, continuou.

O governador disse estar dialogando com a bancada federal gaúcha para articular a derrubada dos vetos em sessão do Congresso Nacional. “Não vamos aceitar esse descaso com o povo gaúcho, que tanto sofreu com a calamidade, e será novamente penalizado com essa medida do governo federal”, finalizou.

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