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Palmada gera medo, não aprendizado, e pode afetar desenvolvimento infantil, diz especialista

Pesquisa Quaest mostra que maioria dos brasileiros acha aceitável que crianças apanhem quando ‘passam dos limites’

Educação|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Palmadas podem interromper comportamentos inadequados, mas não promovem aprendizado ou autocontrole nas crianças.
  • Pesquisa Quaest revela que 56% dos brasileiros acham aceitável que crianças apanhem ao "passar dos limites".
  • Violência na infância pode levar à reprodução de comportamentos violentos na vida adulta.
  • Educação baseada no diálogo e afeto é essencial para romper ciclos de violência intergeracional.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

De acordo com a pesquisa, mais de 60% dos brasileiros já gritaram com uma criança Marcelo Casal/Agência Brasil - Arquivo

A palmada pode interromper um comportamento inadequado de forma imediata, mas não ensina a criança a compreender o erro nem a desenvolver autocontrole. É o que afirma a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em desenvolvimento infantil. Segundo ela, diante da ameaça, o cérebro infantil prioriza a autoproteção, o que favorece respostas por medo e não por aprendizado.

O alerta ocorre após pesquisa Quaest, encomendada pelo Instituto Infinis, mostrar que 56% dos brasileiros concordam que crianças devem apanhar quando “passam dos limites”.


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A violência contra crianças e adolescentes é um cenário que persiste no país. A pesquisa também mostrou que 62% dos entrevistados admitiram já ter gritado ou ameaçado bater em uma criança e 49% afirmaram já ter dado um tapa com a mão.

Silvia Kelly Bosi explica que, ao ser exposta a agressões, a criança sofre alterações no desenvolvimento e que os diferentes tipos de violência provocam impactos distintos.


“A agressão física provoca dor e sensação de ameaça ao corpo, enquanto a verbal pode gerar medo, insegurança, vergonha e baixa autoestima. Quando essas situações são frequentes, as duas ativam os sistemas de estresse do cérebro e podem impactar o desenvolvimento emocional e cognitivo”, afirma.

Segundo a especialista, embora muitos pais justifiquem as palmadas dizendo que cumprem o objetivo de educar, na prática a ação não resulta no esperado.


“Na maioria das vezes, a criança interrompe o comportamento porque sente medo da punição, e não porque compreendeu o motivo da correção. O cérebro prioriza a autoproteção diante da ameaça, o que pode até gerar obediência imediata, mas não necessariamente promove aprendizagem, reflexão ou desenvolvimento do autocontrole”, diz.

Violência intergeracional

O estudo também demonstra uma correlação entre adultos que apanharam na infância e que atualmente reproduzem comportamentos violentos com os próprios filhos.


Grande parte dos nossos comportamentos é aprendida pelas experiências vividas. Quando a criança cresce em um ambiente onde a violência é utilizada para resolver conflitos, ela pode internalizar esse modelo como uma estratégia de interação

(Silvia Kelly Bosi, neuropsicopedagoga )

Para a diretora do Instituto Infinis, Márcia Kalvon, romper o que ela chama de violência intergeracional é fundamental para construir uma sociedade que não naturalize a agressão.

“Quem sofre violência tende a replicar. Então, uma educação baseada no diálogo é uma forma de romper esses ciclos de violência intergeracionais”, afirma.

Segundo ela, é importante a compreensão de que a forma de educar com diálogo, afeto, valores e limites de forma dialogada são “fatores protetivos” para evitar comportamentos violentos no futuro. “Essa forma de lidar com erros de crianças e adolescentes é capaz de promover uma mudança na nossa sociedade e deixar para trás a normalização da violência”, completa.

Discurso e prática

Na prática, a pesquisa também mostrou uma diferença entre o que os brasileiros defendem e o que fazem na educação dos filhos. Embora 91% dos entrevistados tenham afirmado que uma boa conversa é a melhor forma de educar crianças, 49% admitiram recorrer a métodos violentos.

Para Kalvon, esse resultado indica que mudar o comportamento exige mais do que campanhas de conscientização.

“Tem uma diferença entre você entender e compreender uma questão e a prática e o comportamento que você tem em relação a ela. Para mudanças de comportamento da população, às vezes são necessárias intervenções que sejam para além de só uma comunicação em massa”, defende.

Segundo ela, escolas, unidades de saúde e a rede de assistência social têm papel importante nesse processo, especialmente no acompanhamento de crianças na primeira infância.

Bosi também destaca o papel da escola na identificação de possíveis casos de violência.

“Sinais como medo excessivo, isolamento, agressividade, hipervigilância, queda no rendimento escolar, dificuldade de concentração são pontos de alerta. Também é preciso ficar atento a faltas frequentes e lesões recorrentes sem explicação consistente. Esses sinais, quando observados em conjunto, devem ser acolhidos com cuidado e encaminhados conforme os protocolos de proteção à criança”, afirma.

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