PCC e CV são ‘ameaça regional’, dizem EUA; veja como funciona classificação de terrorismo
Inclusão de um grupo na lista de terrorismo dos EUA costuma gerar pressão para que outros países adotem medidas semelhantes
Brasília|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O Governo dos Estados Unidos considera que organizações criminosas brasileiras, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), representam uma ameaça relevante para a segurança regional devido ao envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional.
Internamente, a gestão do presidente Donald Trump avalia enquadrar esses grupos nas regras sobre terrorismo. Em resposta ao R7, o Departamento de Estado afirmou que acompanha a atuação de organizações criminosas no continente.
“Os Estados Unidos consideram que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o Comando Vermelho, representam ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, disse o departamento.
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O órgão, contudo, evitou comentar diretamente se as facções brasileiras podem ser formalmente classificadas como grupos terroristas. “Não antecipamos possíveis designações terroristas nem comentamos deliberações sobre esse tipo de classificação. Estamos plenamente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros envolvidos em atividades terroristas”, acrescentou o departamento.
Embora os EUA não confirmem avaliações em andamento, o governo americano possui um procedimento formal para classificar entidades estrangeiras como Organizações Terroristas Estrangeiras — um enquadramento que desencadeia sanções financeiras e restrições legais amplas.
Como funciona a classificação de grupos terroristas nos EUA
O processo de designação é conduzido pelo governo americano e começa com um monitoramento contínuo de grupos ao redor do mundo por um escritório de contraterrorismo do Departamento de Estado.
Essa área acompanha atividades de organizações estrangeiras para identificar possíveis alvos de designação. A avaliação não se limita a ataques já realizados. O governo também analisa se o grupo:
- Participou do planejamento de atos terroristas;
- Mantém capacidade operacional para realizá-los;
- Demonstra intenção de conduzir ataques no futuro.
Quando uma organização passa a ser considerada um possível alvo, o governo prepara um registro administrativo detalhado com informações de inteligência e dados de fontes abertas. O objetivo é demonstrar se o grupo cumpre todos os critérios legais exigidos pela legislação americana.
A decisão final cabe ao secretário de Estado, em consulta com o procurador-geral e o secretário do Tesouro dos Estados Unidos.
Se houver consenso para a designação, o Congresso é formalmente notificado e tem sete dias para revisar a decisão. Caso o prazo expire sem bloqueio parlamentar, a classificação é publicada no Diário Oficial do governo americano e entra em vigor.
O Congresso também mantém poder para revogar designações posteriormente por meio de legislação.
Critérios legais para enquadrar um grupo como terrorista
A legislação americana estabelece três requisitos principais para classificar uma organização como terrorista estrangeira:
- A entidade deve ser de outro país que não os EUA;
- O grupo deve estar envolvido em terrorismo ou em atividades terroristas — ou manter capacidade e intenção de praticá-las;
- Essas atividades devem representar ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos ou à segurança de seus cidadãos.
A lei define “atividade terrorista” de forma ampla, incluindo ações como sequestros, assassinatos, ataques contra pessoas internacionalmente protegidas, tomada de reféns e o uso de armas ou explosivos para colocar civis em risco ou causar grandes danos.
O conceito jurídico de terrorismo envolve violência premeditada e politicamente motivada contra alvos não combatentes.
Consequências da designação
Quando uma organização é oficialmente classificada como Organização Terrorista Estrangeira, passa a enfrentar uma série de sanções legais e financeiras nos Estados Unidos.
Entre as principais consequências estão:
• Bloqueio de ativos financeiros
Instituições financeiras americanas que identifiquem fundos ligados ao grupo devem congelar os recursos e informar o caso ao governo.
• Proibição de apoio material
Torna-se crime fornecer qualquer tipo de apoio à organização. A legislação considera apoio material uma gama ampla de atividades, incluindo dinheiro, serviços financeiros, treinamento, transporte, equipamentos ou assistência técnica.
• Restrições migratórias
Membros ou representantes estrangeiros da organização tornam-se inadmissíveis nos Estados Unidos e podem ser alvo de processos de deportação.
Além das sanções diretas, a classificação tende a gerar forte impacto internacional.
Isolamento internacional e sanções
A inclusão de um grupo na lista de terrorismo dos Estados Unidos costuma gerar estigmatização internacional e pressão para que outros países adotem medidas semelhantes.
O objetivo é reduzir a capacidade financeira e operacional da organização, dificultando transferências de recursos e parcerias com empresas ou indivíduos.
Esse isolamento também amplia a cooperação internacional no combate ao financiamento do terrorismo.
Revisões e possibilidade de contestação
Mesmo após a designação, o status não é necessariamente permanente.
A organização classificada pode recorrer à Justiça americana no prazo de até 30 dias após a publicação da decisão. O caso é analisado pelo Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia.
Além disso, a lei prevê mecanismos de revisão:
- O próprio grupo pode pedir a revogação da designação após dois anos;
- O governo americano deve revisar o status a cada cinco anos;
- O Congresso ou tribunais também podem determinar a revogação.
Enquanto isso não ocorre, o enquadramento continua produzindo efeitos legais e financeiros, reforçando o isolamento internacional da organização.
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