Segurança: Caiado defende autonomia dos governadores e atuação da União contra crimes federais
Candidato apresentou propostas para presídios, inteligência policial e câmeras corporais
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, em entrevista ao Jornal da Record nesta quinta-feira (17), a autonomia dos estados na área de segurança pública e afirmou que o governo federal deve atuar diretamente no combate aos crimes de competência federal.
Segundo Caiado, os estados devem seguir as diretrizes gerais estabelecidas pela Constituição, mas ter autonomia para definir as estratégias de segurança pública. Para ele, cabe ao presidente da República concentrar a atuação federal nos crimes de competência da União.
“A autonomia dos estados foi uma peça que nós alteramos para que prevalecesse a Constituinte de 1988. Os estados têm as diretrizes gerais. O que nós mudamos é que o presidente da República vai atuar nos crimes federais”, afirmou.
Entre as propostas apresentadas pelo candidato está a criação de um Ministério da Segurança Pública integrado ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), à Receita Federal, à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e à área de inteligência da Polícia Federal.
Segundo Caiado, a estrutura faria parte de um sistema chamado “Sentinela”, com o objetivo de compartilhar informações com as forças de segurança estaduais e identificar empresas envolvidas em fraudes.
“Isso entra em um sistema chamado Sentinela, para imediatamente já informar a polícia do estado e o secretário de Segurança. Isso faz uma varredura. Vamos mapear empresas fraudulentas”, afirmou.
Caiado também prometeu construir 40 novos presídios, todos equipados com scanners corporais, como parte da estratégia de contenção da população carcerária.
“[Serão] 40 novos presídios, todos eles com scanner corporal, para fazer a contenção dos condenados”, disse.
Câmeras corporais
Durante a entrevista, o candidato também falou sobre o uso de câmeras corporais por policiais. Caiado defendeu que a decisão sobre a utilização dos equipamentos cabe aos governadores, e não ao presidente da República.
“Câmera corporal é uma decisão do governador, não do presidente. O que é preciso entender é que são situações distintas. Não dá para comparar uma operação na Faria Lima com uma operação em Paraisópolis”, afirmou.
Caiado argumentou que as condições enfrentadas pelos policiais podem variar de acordo com a região e o tipo de operação. Segundo ele, em áreas consideradas mais conflagradas, os agentes podem enfrentar situações de maior risco.
“É muito difícil você ter uma pessoa com um fuzil na Faria Lima. Em Paraisópolis, é comum. E o que ele terá pela frente? Quando você entra em uma zona conturbada, ele entra em uma condição totalmente desigual. Ele entra em um lugar onde jogam granadas. E, dessa maneira, é como a polícia é recebida e tem que estar preparada para fazer a segurança das pessoas”, disse.
“É muito bonito colocar no quadro, ver a câmera ali, mas quando se entra em uma zona fechada...”, completou.
Entrevistas com candidatos
Ronaldo Caiado foi o terceiro presidenciável entrevistado pelo Jornal da Record nesta quinta-feira (17). Lula inaugurou a rodada de entrevistas na terça-feira (16), seguido por Romeu Zema.
Além de Lula, Zema e Caiado, a programação também contará com Flávio Bolsonaro (PL), na sexta-feira (18). Na próxima semana, será a vez de Augusto Cury (Avante), no dia 19, e Renan Santos (Missão), no dia 22. Todas as entrevistas terão duração de 30 minutos.
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