Escala 6x1: ‘Não vamos engessar a mão de obra’, diz Caiado
Caiado defendeu adaptação gradual e jornadas mais flexíveis para os trabalhadores
Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu, em entrevista ao Jornal da Record nesta quinta-feira (17), mudanças na organização da jornada de trabalho e afirmou que a mão de obra não deve ser “engessada”. Ao falar sobre o fim da escala 6x1, o candidato disse que empresas precisam de um período de transição para se adaptar às novas regras.
Segundo Caiado, a mudança na jornada de trabalho já é defendida e aprovada, mas é necessário garantir um prazo para que setores que dependem de mão de obra especializada consigam se adequar.
“Ela já está aprovada, defendida e está clara. O que os empresários defendem é que eles possam ter mobilidade neste período de transição. Você não tem como equipar uma rede hospitalar se a matéria entra no final do segundo mês da aprovação e já entra em vigor. Como você vai treinar essas pessoas para suprir essas áreas de demanda mais especializada? É um processo extremamente populista”, afirmou.
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O candidato também defendeu maior flexibilidade na jornada de trabalho, especialmente para os trabalhadores mais jovens. Segundo ele, parte dessa população busca modelos diferentes do regime tradicional da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
“O que o jovem hoje demanda? O jovem não quer CLT. O jovem hoje quer a liberdade de trabalhar em casa, liberdade de trabalhar quatro horas em um dia, dez horas no outro ou cinco horas no outro. Isso é um avanço da sociedade mundial, e o Brasil fica com essa ideia de que tem que ser desse jeito. Não. Tem que ser como a pessoa se adapta e quer trabalhar”, disse.
Caiado afirmou ainda que não cabe ao governo determinar um único modelo de jornada para todos os trabalhadores.
“Nós não temos que engessar a mão de obra. O cidadão tem que trabalhar até menos, até três vezes quatro, é direito dele”, declarou.
Reta final
Durante a entrevista, Caiado também criticou medidas anunciadas pelo governo federal às vésperas da eleição, entre elas a disponibilização de medicamentos para emagrecimento pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e o reajuste do Bolsa Família.
O candidato afirmou que iniciativas dessa natureza deveriam ser adotadas independentemente do período eleitoral e acusou o governo de utilizar a máquina pública na reta final da campanha.
“Essas medidas agora de reta final... Eu já faço isso desde 2024. Estou vendo o Lula prometendo canetas emagrecedoras, aumentar o Bolsa Família. Tudo certo, mas não com essa aparência de populismo, de pré-campanha. É uma coisa que dói, a pessoa usar a máquina do governo a 17 dias da eleição para poder fazer isso”, afirmou.
A declaração ocorre no mesmo dia em que o governo anunciou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, que eleva o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. O novo valor começa a ser pago em 19 de outubro, entre o primeiro e um eventual segundo turno das eleições.
Entrevistas com candidatos
Ronaldo Caiado foi o terceiro presidenciável entrevistado pelo Jornal da Record nesta quinta-feira (17). Lula inaugurou a rodada de entrevistas na terça-feira (16), seguido por Romeu Zema.
Além de Lula, Zema e Caiado, a programação também contará com Flávio Bolsonaro (PL), na sexta-feira (18). Na próxima semana, será a vez de Augusto Cury (Avante), no dia 19, e Renan Santos (Missão), no dia 22. Todas as entrevistas terão duração de 30 minutos.
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