‘Hoje captamos 40% a mais de água do que deveríamos captar nos nossos rios’, alerta presidente do Trata Brasil
Segundo estudo do instituto, água perdida poderia abastecer 77 milhões de brasileiros
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7
A água desperdiçada no Brasil poderia abastecer cerca de 77 milhões de pessoas. A informação é do estudo “Perdas de Água 2026”, do Instituto Trata Brasil, em parceria de consultoria da GO Associados, para o qual foram considerados dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, do ano base de 2024.
De acordo com o levantamento, o Brasil perde cerca de 39% da água tratada antes mesmo que ela chegue às torneiras das famílias. Essa perda acontece por motivos como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados.
Veja Também
O estudo apontou que o volume de perdas no ano de 2024 equivale a 4.800 piscinas olímpicas desperdiçadas por dia.
Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, em entrevista ao programa Link News, afirma que, ao longo dos últimos cinco anos, o Brasil se manteve constante quanto ao volume de desperdício. Ela aponta a falta de priorização, de investimento e de gestão adequada nos sistemas de distribuição de água como causa do problema.
“Nós temos uma meta para cumprir. Precisamos chegar a 25% de perdas de água até o ano de 2033, que ainda é um número bastante elevado, mas que, se a gente conseguir reduzir de 35% para 25%, já poderíamos estar abastecendo 48 milhões de pessoas”, enfatiza.
A especialista ainda aponta que há um pensamento, em meio ao crescimento populacional, de que há água em abundância no território brasileiro, mas, segundo ela, é possível abastecer um número maior de pessoas sem ter que captar mais água dos rios, o que gera consequências.
“Essa água pode vir da redução de perdas de água, para que a gente impacte menos o meio ambiente. Hoje captamos 40% a mais de água do que deveríamos captar nos nossos rios; essa água é tratada, são utilizados produtos químicos para essa água, existe o uso de energia hidrelétrica para o bombeamento dessa água, e tudo isso gera custos e impacto ambiental”, diz.
Luana Pretto ainda chama a atenção para os chamados ‘gatos’, ou seja, ligações clandestinas, que correspondem a 40% do total do desperdício e podem acarretar problemas a quem consome essa água.
“Esses furtos geram um prejuízo não apenas para o sistema de distribuição de água, mas para a população, porque a água, quando ela é entregue na casa de cada cidadão, ela precisa ser entregue dentro dos padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde, para que ninguém fique doente. Quando há ligação clandestina de água, não existe a clareza de que essa água está sendo entregue dentro desses padrões”, revela.
Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!

















