Irmão de PC Farias começa a ser ouvido em julgamento do crime
Augusto Farias chegou a ser indiciado como suspeito, mas não foi acusado por falta de provas
Cidades|Da Rede Record

Augusto Cesar Farias, irmão de PC Farias, é a terceira testemunha a ser ouvida nesta terça-feira (7), segundo dia de julgamento dos quatro ex-policiais militares acusados de coautoria no duplo homicídio do empresário Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino. O depoimento de Augusto é um dos mais esperados e começou por volta das 10h50. O julgamento acontece na 8ª Vara Criminal de Maceió (AL).
Ele, que é atualmente deputado federal pelo estado de Alagoas, chegou a ser indiciado como suspeito e suposto mandante do crime, mas, por falta de provas, acabou não sendo acusado pelo duplo homicídio. Augusto já disse acreditar que Suzana matou o empresário e depois cometeu suicídio. Suzana tentou se afogar dois dias antes da morte do casal, diz garçom da casa de PC Farias.
O juiz Maurício Breda é o responsável pelo caso. Marcos Louzinho é o promotor e José Fragoso Cavalcanti, advogado de defesa dos acusados. Cinco homens e duas mulheres compõem o júri. Estão no banco dos réus os ex-militares que atuavam como seguranças do empresário: Adeildo dos Santos, Josemar dos Santos, José Geraldo da Silva e Reinaldo Correia de Lima Filho.
Primeiro dia
Primeiro a depor, na segunda-feira (6), o ajudante de serviços gerais Leonino Tenório de Carvalho, responsável pela limpeza do quarto onde eles foram mortos, confirmou que, além de limpar o local após a perícia da polícia, ateou fogo no colchão da cama em que foram encontrados mortos PC Farias e sua namorada.
— A ideia foi minha, porque pensei que não iria "incomodar mais". "Todo bagulho" que não tem mais utilidade a gente joga fora.
Pressionado, porém, Tenório disse que queimou o colchão a mando de outro funcionário — chamado Flávio —, e que recebeu ordens do chefe para fazer uma “limpeza” na casa.
A segunda testemunha foi o garçom da casa, Genival da Silva França. Ele disse que Suzana teria tentado se matar afogada, dois dias antes da morte, após uma briga do casal. A afirmação é forte para a defesa dos réus, que sustenta a versão de que a namorada matou PC Farias e se suicidou em seguida. Para o promotor Marcos Mousinho, os laudos da perícia não comprovam essa versão.
Questionado pela promotoria porque só falou isso agora, 17 anos após o crime, o garçom disse que não se lembrava.
— Porque tem coisa que a gente esquece, doutor.
Denúncia
O Ministério Público ofereceu denúncia aos quatro réus, porém nenhum deles foi apontado exatamente como o assassino, por isso respondem por coautoria do crime. Mesmo ao longo desses 17 anos, ninguém foi acusado como mandante dos assassinatos que nunca foi realmente esclarecido.
No entanto, o promotor de Justiça Marcos Mousinho quer que os quatro sejam condenados pelo crime de homicídio, e não de coautoria. O promotor disse acreditar que eles não cumpriram com sua função — zelar pela vida das vítimas — porque sabiam que o crime seria cometido.
Na época em que foi morto, PC estava em liberdade condicional. Ele respondia por crimes como sonegação de impostos, falsidade ideológica e enriquecimento ilícito. A morte do tesoureiro foi investigada como queima de arquivo, pois ele poderia fazer revelações sobre a participação de outras pessoas nos esquemas.










