Missas e homenagens tomam Santa Maria, no RS
Domingo marcou uma semana da tragédia que matou 237 pessoas em incêndio
Cidades|Do R7

A madrugada de sábado (2) para domingo (3) não teve o som agudo das sirenes, fumaça ou bombeiros na rua dos Andradas, no centro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Mas teve dor e choro, assim como há uma semana, quando aconteceu a tragédia na boate Kiss. No sábado, um jovem que estava internado morreu, elevando para 237 o número de vítimas do incêndio.
Missas de sétimo dia foram celebradas ao longo do sábado em diversas igrejas da cidade. A maior delas teve início às 21h30 na Basílica Nossa Senhora da Medianeira de Todas as Graças. Durante a madrugada, cerca de 2.000 pessoas foram para a frente da boate. Rezaram, choraram e gritaram de desespero e saudade.
Diante da Kiss, todos tinham algo em comum: amigos e colegas que se foram e a tristeza e o choro estampados nos rostos, que acometeram também quem estava ali trabalhando, como a equipe de profissionais de psicologia e serviço social.
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Às 2h30, teve início uma salva de palmas. Muitas pessoas passaram mal e tiveram de ser socorridas às pressas pelos voluntários. De volta para casa, era possível ver gente de todas as idades chorando: desde o pai de 70 anos que perdeu o filho, até a criança que, com o rosto escondido no colo da mãe, soluçava sem parar.
Silêncio
O plano inicial previa uma caminhada até a Kiss, saindo da catedral da cidade. Foi montado um grande aparato de segurança e até um hospital de campanha para conduzir a massa. O ato foi desmobilizado por causa da forte chuva. As autoridades estimavam que 40 mil pessoas percorreriam as ruas de Santa Maria, mas não foi assim. De cabeça baixa, os santa-marienses optaram por voltar em silêncio para casa. Segundo a Brigada Militar, o ato reuniu cerca de 4.000 pessoas.
Outras cidades do Rio Grande do Sul também prestaram homenagens aos mortos na tragédia. Uma delas foi organizada por policiais militares em Capão da Canoa. Em Caxias do Sul, cerca de 300 jovens fizeram uma passeata. Nos jogos do campeonato gaúcho de futebol, foi feito um minuto de silêncio.
Em Porto Alegre, além da missa de sétimo dia, centenas de pessoas participaram de uma caminhada no Parque Farroupilha. Vestidas de branco, elas soltaram 237 balões, representando cada uma das vítimas.
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Mais uma vítima
Durante a missa na Basílica, o clima ficou ainda mais triste com a confirmação da morte de Bruno Portella Fricks, de 22 anos, que estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Formado em Administração de Empresas pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), ele estava na boate com a namorada, Jéssica Duarte, de 20 anos, que permanece internada no Hospital Cristo Redentor, na capital gaúcha.
O número de hospitalizados caiu para 97 no domingo. Das 114 pessoas que estavam internadas até a manhã de sábado, 16 tiveram alta. Os pacientes estão em hospitais de Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul e Ijuí e 35 deles ainda respiram com ventilação mecânica.
Incêndio
O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que ao ser lançado atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. O fogo se espalhou em poucos minutos.
A casa noturna estava cheia na hora que o fogo começou. Cerca de mil pessoas estariam no local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.
Ao entrar na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, para socorrer as vítimas do incêndio ocorrido na madrugada de domingo (27), os bombeiros se depararam com uma barreira de corpos.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, coronel Guido Pedroso de Melo, descreveu a situação.
— Os soldados tiveram que abrir caminho no meio dos corpos para tentar chegar às pessoas que ainda estavam agonizando.
Assista ao vídeo:
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