Patroa da mãe de Miguel presta novo depoimento em Recife (PE)

Esta é a segunda vez que ela dá esclarecimentos à polícia sobre morte do garoto de 5 anos que caiu do nono andar. Ela responde por homicídio culposo

Sari Corte Real presta novos esclarecimentos à polícia sobre morte de Miguel

Sari Corte Real presta novos esclarecimentos à polícia sobre morte de Miguel

Reprodução

Sarí Corte Real, de 31 anos, presta um novo depoimento nesta segunda-feira (29) na delegacia de Santo Amaro, na região central de Recife. Ela foi autuada em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, de Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas 5 anos. O garoto caiu do nono andar do prédio de alto padrão, Edifício Pier Maurício de Nassau, quando estava aos cuidados da patroa da mãe dele, que é doméstica.

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Sarí chegou antes das seis da manhã, acompanhada do marido, o prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker (PSB), e por um advogado. É a segunda vez que ela é levada à delegacia para ser questionada sobre o que aconteceu no dia 2 de junho.

O expediente na delegacia só começa às 8h, mas o delegado Ramon Teixeira chegou hoje às 5h45. Dez minutos depois, chegou o carro que trouxe Sarí.

Ela responde em liberdade pelo crime porque pagou fiança de R$ 20 mil. 

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Miguel é filho da empregada doméstica da família de Sarí e estava aos cuidados dela porque a mãe, Mirtes Renata Santana de Souza, foi passear com o cachorro. A última imagem do garoto com vida é no elevador do prédio sozinho e Sarí aperta o botão do alto para ele.

O menino acessou a área de ar-condicionado do edifício e escorregou. As sandálias deixaram marcas no aparelho.

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Depoimentos

O delegado responsável pela investigação, Ramon Teixeira, ouviu na sexta-feira (12), a manicure Eliane Lopes, 29 anos, que estava no apartamento com Sarí antes da morte do garoto. Ela é funcionária do salão de beleza que costuma frequentar e só começou a ir à casa dela por causa da pandemia de covid-19.

A manicure chegou à delegacia de Santo Amaro, acompanhada por dois advogados. O depoimento durou cerca de duas horas, mas não falou com a imprensa. Um dos advogados, Irineu Ferreira, deu algumas informações sobre o depoimento: "Ela não estava presente em todos os momentos do ocorrido, se manteve o tempo todo dentro do apartamento. Sarí estava preocupada com o menino".

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O gerente de operações do condomínio, Tomaz Silva, que ajudou a socorrer o menino, também foi ouvido na sexta. Ele foi o terceiro a encontrar Miguel caído, depois do zelador do prédio e da mãe da criança.

"Quem fez os primeiros socorros na criança fui eu. Foi uma cena muito triste, muito chocante. Infelizmente, senti o garoto indo embora, porque ele apertou a minha mão, eu dizendo a ele: aperta a mão do tio, a gente ainda vai jogar bola, reage! Mas, com mais ou menos um ou dois minutos, ele começou a enfraquecer e infelizmente aconteceu o que nós não queríamos", revelou Tomaz.

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Perguntado sobre a reação de Sarí no momento do acidente de Miguel, o gerente de operações do edifício disse que achou que ela estava muito tranquila: "Ela disse para socorrer o menino no carro dela". O gerente de operações afirmou que, após 15 minutos, recebeu a notícia da morte de Miguel.

Além dos dois, o ex-síndico e o zelador do condomínio foram os primeiros a depor.