Cidades PCC não entrou em guerra contra aliada no CE por ser menor, diz MP

PCC não entrou em guerra contra aliada no CE por ser menor, diz MP

Facção criminosa Guardiões do Estado teria 15 mil membros no Ceará, enquanto Primeiro Comando da Capital contava com mil integrantes

Denúncia PCC

Trecho sobre quantidade de membros do GDE e PCC

Trecho sobre quantidade de membros do GDE e PCC

Reprodução/MP-SP

A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) tem pouco mais de mil integrantes no Ceará, enquanto a principal aliada da organização no Estado, a GDE (Guardiões do Estado), tem 15 mil membros. Essa diferença foi o motivo para os dois grupos não entrarem em guerra no ano de 2017.

Essa informação foi obtida pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), por meio de uma interceptação telefônica entre supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital. Na conversa, um suposto líder do PCC questiona sobre os números de integrantes das duas facções.

“Mil e pouco, como é que nós vamos declarar uma guerra com eles? Nós não podemos, não é o momento ainda”, disse o homem apontado como líder. “É, estou ligado. É a mesma coisa de se suicidar, né?”, respondeu o outro homem da ligação. Segundo o MP-SP, o telefonema, com participações de outros integrantes do PCC, foi realizado às 12h09 do dia 19 de novembro do ano passado.

Os membros do Primeiro Comando da Capital ainda comentam e demostram desconforto sobre a forma de cooptar integrantes na facção aliada. “Os caras batizam qualquer um. Você não viu que o CV [Comando Vermelho] matou quatro moleques deles esses dias aí, de 12, 13 anos?”

Os integrantes da facção criminosa se referiram à chacina no dia 13 de novembro do ano passado. Na ocasião, o R7 noticiou o crime que terminou com a morte de quatro adolescentes de idades entre 12 e 17 anos. Eles haviam sido retirados do Centro de Semiliberdade Mártir Francisco, em Fortaleza (CE), e assassinados próximo ao local.

Os autores do crime, que seriam membros da facção rival Comando Vermelho, fizeram um vídeo mostrando uma das vítimas. Na filmagem, o suposto integrante do CV pergunta se o adolescente é do bairro da Barra (dominado pela Guardiões do Estado), e mostra a tatuagem com os números 7, 4 e 5 nos dedos do menino — o que representa a sétima (G), quarta (D) e quinta (E) letras do alfabeto.

‘No RN o bambu está estralando’

Outro Estado nordestino que a situação não era favorável ao Primeiro Comando da Capital é o Rio Grande do Norte. Uma ligação interceptada mostra que um integrante da “Geral dos Estados” do PCC afirma que no RN “o bambu está estralando”.

Diferentemente do que acontece no Ceará, as facções que dominam o tráfico de drogas no Rio Grande do Norte são rivais ao PCC. Ainda de acordo com a interceptação, o Comando Vermelho tem força no Estado por ter se aliado com a facção local, o Sindicato do Crime.

Antes do início das investigações, uma rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Natal, havia deixado 26 mortos e escancarado a guerra entre Sindicato do Crime aliado com CV contra o Primeiro Comando da Capital.

As investigações do MP-SP foram apresentada à Justiça na última quinta-feira (5), e indiciou 75 pessoas supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital.

A denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), sob responsabilidade do promotor de Presidente Venceslau Lincoln Gakya, também indicou sete pessoas que teriam assumido a liderança máxima do PCC durante o período que a cúpula geral da organização, liderada pelo Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, estava em regime de isolamento, no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) de Presidente Bernardes (580 km de São Paulo).

Lideranças do PCC segundo investigação do Ministério Público de São Paulo

Lideranças do PCC segundo investigação do Ministério Público de São Paulo

Arte/R7

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