PF mira pastor Márcio Poncio e Rodrigo Bacellar em operação contra corrupção e facções no RJ
Bicheiro Adilson Oliveira Filho, o Adilsinho, e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador do estado Sérgio Cabral, também são alvo
Rio de Janeiro|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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A PF (Polícia Federal) cumpriu, nesta quinta-feira (2), três mandados de prisão preventiva contra o pastor Márcio Poncio; o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar (União Brasil), que estava preso; e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que também já se encontrava na prisão.
Além deles, o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, está entre os alvos, segundo apurou a reportagem. As ações fazem parte da quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa formada por agentes públicos do Rio de Janeiro e faccionados do CV (Comando Vermelho).
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Na etapa atual, a PF apura indícios de lavagem de dinheiro praticada por Adilsinho — considerado o “capo” (leia mais abaixo) da nova cúpula do jogo do bicho no estado —, além de ramificações do esquema junto aos Poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
Além dos três mandados de prisão preventiva, os policiais federais cumpriram 14 ordens de busca e apreensão emitidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em endereços vinculados aos suspeitos, nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti (RJ), na Baixada Fluminense.
O Supremo também determinou o sequestro de R$ 22 milhões em bens e valores. A nova ofensiva ocorreu para apreensão de listas que indicavam supostos pagamentos de propina, bem como doações eleitorais direcionadas a políticos do RJ.
O documento, que ainda detalhava a contabilidade da lavagem de dinheiro, estava com Adilsinho, apontado como operador do esquema.
O ‘capo’
Adilsinho se encontra na Penitenciária Federal de Brasília desde fevereiro último. O termo “capo”, usado pela própria Polícia Federal para se referir a ele, deriva do termo “caporegime” e designa um integrante de alto escalão da máfia italiana.
Na estrutura dessas organizações criminosas, o capo é responsável por comandar um grupo de soldados e administrar as atividades criminosas em uma determinada área de atuação.
Já Rodrigo Bacellar está preso desde março no Complexo Penitenciário de Bangu. Depois de ser levado à Superintendência da PF no Rio de Janeiro, ele deve ser transferido para um presídio federal.
Ele é suspeito de repassar informações sigilosas da Operação Zargun ao também ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo de Oliveira Santos (MDB), o TH Joias, apontado como articulador político e comprador de armas para o CV.
Posicionamentos
Por meio de nota, a advogada Patrícia Proetti, que representa Marco Antônio Cabral, confirmou que ele foi alvo de mandado de busca e apreensão.
No entanto, ele negou “categoricamente” ter qualquer envolvimento com “organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de valores de origem ilícita”.
Também por meio de nota, a defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaçou a alegação do “pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos”.
O R7 ainda tenta contato com a defesa de Marcio Poncio, pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ), e de Rodrigo Bacellar. O espaço fica aberto para eventuais manifestações.
Operação Unha e Carne
A primeira fase da força-tarefa ocorreu em dezembro de 2025, após suspeitas de vazamentos de informações sigilosas sobre operações policiais por parte de agentes públicos do Rio de Janeiro para integrantes de facções criminosas.
À época, o então deputado estadual Rodrigo Bacellar foi preso, diante das evidências de que ele teria avisado a Thiego Raimundo sobre uma operação policial da qual TH Joias seria alvo e o instruído a destruir provas.
No mesmo mês, a PF deflagrou a segunda fase da operação, que levou à prisão preventiva do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região).
Em março último, Bacellar foi preso novamente, em Teresópolis (RJ). A determinação partiu do ministro do Alexandre de Moraes, do STF, após a cassação do mandato do político.
A denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) nesse caso acusa, além de Bacellar, TH Joias, Macário Júdice Neto e outros investigados. O Ministério Público argumenta que os três fariam parte de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.
A quarta fase da operação ocorreu em 5 de maio de 2026, quando foi preso o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de comandar um esquema de fraudes em procedimentos de compra de materiais e aquisição de serviços.
Os crimes estariam relacionados a reformas executadas pela Seeduc (Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro). E, durante as apurações, a PF encontrou no celular dele mensagens com menções a atos violentos, além de conversas do político com outros suspeitos de participar dos desvios.
A Operação Unha e Carne envolve a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) nº 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou à PF investigar, entre outros fatos, a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no Rio de Janeiro e as conexões deles com agentes públicos.
*Com informações da Agência Brasil e do Estadão Conteúdo
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