São Paulo Ricardo Nunes anda de ônibus para lançar o programa Tarifa Zero e ouve cobranças de passageiros

Ricardo Nunes anda de ônibus para lançar o programa Tarifa Zero e ouve cobranças de passageiros

Prefeito de São Paulo foi do Terminal Santo Amaro ao Shopping Ibirapuera na madrugada deste domingo e falou sobre gratuidade

Agência Estado
Ricardo Nunes anda de ônibus no Domingão Tarifa Zero

Ricardo Nunes anda de ônibus no Domingão Tarifa Zero

Divulgação / SECOM - Leon Rodrigues - 17.12.2023

Em clima de pré-campanha, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), saiu à meia-noite deste domingo (17) do Terminal Santo Amaro, na zona sul da cidade, de ônibus, para lançar o programa Tarifa Zero. A viagem, com destino ao Shopping Ibirapuera, marcava o primeiro dia da gratuidade no transporte municipal, medida anunciada na última segunda-feira (11).

Ao longo do dia todo, a gestão municipal faz um teste de gratuidade no transporte público municipal, que será repetido nos dias do Natal (25), do Ano-Novo (1º de janeiro) e do aniversário de São Paulo (25 de janeiro). A ideia da prefeitura é repetir a ação todos os domingos.

Durante o trajeto, Nunes ouviu críticas sobre problemas da cidade e elogios ao Tarifa Zero. Essa iniciativa é uma das bandeiras do prefeito, que pretende se candidatar à reeleição no ano que vem e já fala em adotar o passe livre também nos dias úteis. Entretanto, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não aderiu à medida, e o Metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) vão manter a cobrança da passagem.

Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp 
Compartilhe esta notícia pelo WhatsApp 
Compartilhe esta notícia pelo Telegram 
Assine a newsletter R7 em Ponto

“Metrô e CPTM não acompanham [a gratuidade]. Não tem necessidade, porque temos abrangência de toda a cidade e tem interligação com todos os nossos equipamentos de esporte e de cultura”, falou Nunes, na plataforma de embarque do Terminal Santo Amaro.

Nesse local foi possível constatar que grande parte dos passageiros ainda não sabia da gratuidade, que está em fase de teste. O “Domingão Tarifa Zero: explore, descubra, viva São Paulo” começou à meia-noite e termina às 23h59 deste domingo, podendo beneficiar cerca 2,2 milhões de passageiros que utilizam as 1.175 linhas de ônibus municipais.

“O objetivo é possibilitar que as pessoas conheçam e possam curtir a cidade”, disse Nunes, acrescentando que também pretende aumentar a adesão dos paulistanos ao uso do transporte público. “Não podemos ver o transporte como apenas uma questão tarifária. É uma questão de mobilidade, qualidade de vida e do ar.”

O principal empecilho para que o Domingão Tarifa Zero empolgasse mais os paulistanos foi o anúncio quase simultâneo do reajuste no valor das passagens de trem e metrô, a partir de 1º de janeiro, de R$ 4,40 para R$ 5.

O aumento, anunciado pela administração estadual, criou tensão, na última semana, entre o prefeito e o governador. Nunes disse que a tarifa de ônibus será mantida, o que quebra uma tradição de os reajustes do município e do estado serem feitos de forma coordenada.

Durante a semana

Enquanto falava com a imprensa, Nunes foi recebido com gritos das pessoas que estavam na fila da plataforma de embarque, a cinco passos dele. Ágda Carvalho, de 39 anos, atendente de call center, era uma delas. “Quase ninguém trabalha no domingo. A gente quer isso durante a semana, não no único dia que o pobre tem para descansar”, disse ela.

“Se houver o aumento do trem e do metrô, acho que não resolve muita coisa”, opinou a garçonete Josilene Oliveira, de 46 anos. Quando o prefeito desembarcou no ponto em frente ao Shopping Ibirapuera, ela pediu o aumento da frota de veículos à noite, período em que ela, diariamente, faz o trajeto até a zona leste e durante o qual já chegou a esperar mais de seis horas por um ônibus, contou.

“O que ajuda é uma tarifa justa ao longo da semana. Às vezes a gente vem socado dentro do ônibus, sem ter nem ar pra respirar”, reclamou.

Há pelo menos outros 89 municípios no país que já adotam o passe livre, segundo levantamento feito pelo pesquisador Daniel Santini, mestre em Planejamento Urbano e Regional pela USP (Universidade de São Paulo). Na maioria são cidades pequenas.

São Caetano do Sul, com 165 mil habitantes, implementou a mudança no mês passado e viu o número de passageiros do sistema dobrar. O município do ABC paulista está entre os maiores a adotar o modelo, assim como Caucaia (com 355 mil habitantes), no Ceará, e Luiziânia (209 mil), em Goiás.

Tarefa complexa

Parte dos especialistas que estudam o tema afirma que a Tarifa Zero promove o direito à mobilidade, além de mais inclusão social. Outra corrente vê na medida um uso ineficiente do dinheiro público, uma vez que é gasto um montante expressivo em uma política que não beneficia só os que mais precisam. Mesmo entre os que são favoráveis à medida, há ressalvas quanto à adoção do modelo na capital paulista.

Um exemplo recorrente, utilizado por Nunes para ilustrar o impacto da tarifa zero no ônibus, é que ela pode representar uma economia de quase R$ 50 para uma família formada por mãe, pai e três filhos que quiser passear aos domingos.

Com a gratuidade, a prefeitura vai deixar de receber cerca de R$ 283 milhões ao ano, valor correspondente à arrecadação com as tarifas aos domingos. Para 2024, a Câmara aprovou, em primeira votação, verba de R$ 500 milhões para o programa, ainda sem previsão de implantação da gratuidade durante a semana.

A expectativa é, neste primeiro momento, aumentar em pelo menos 50% o total de pessoas que utilizam os ônibus municipais aos domingos. Hoje, segundo a SPTrans, esse número é de 2,2 milhões de passageiros, que demandam apenas 40% da frota disponível.

“Vamos ter de fazer alguns ajustes porque pode ser que algumas regiões tenham um número maior [de ônibus disponíveis], mas vamos monitorar”, disse Nunes.

O prefeito admitiu estar “bastante empolgado” com a implementação do programa Tarifa Zero, que pode se tornar uma marca da sua gestão, que enfrenta desafios como o espalhamento da Cracolândia e a alta da criminalidade no centro.

Enquanto ia de Santo Amaro a Moema, em uma viagem sem paradas, Nunes teve uma amostra das queixas da população com as quais terá de lidar, até mesmo referentes a problemas que não estão sob responsabilidade da prefeitura. Ouviu, por exemplo, reclamações sobre a truculência na abordagem de policiais, o desemprego e o aumento das passagens do trem e metrô.

Últimas