Após bater R$ 4,20 em 2016, dólar vira vilão para exportadores
Valorização do real deixa produtos brasileiros mais caros e menos competitivos no exterior
Economia|Alexandre Garcia, do R7

Há um ano, o brasileiro que planejava viajar para o exterior ficou assustado ao ver o dólar ultrapassar a barreira dos R$ 4,20, na maior cotação desde a criação o Real. Enquanto os brasileiros sentiam no bolso a valorização da moeda americana, o setor exportador não tinha motivos para reclamar. Pelo contrário, comemorava porque os ganhos eram muito maiores ao negociar mercadorias e serviços no exterior.
Passado um ano, o cenário econômico nacional mudou completamente após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a adoção de uma política para manutenção do câmbio em um nível mais baixo por parte do governo brasileiro como alternativa para conter a inflação.
O cenário desponta como um obstáculo para os exportadores, que hoje recebem cerca de R$ 1 a menos para cada dólar presente no preço de seus frutos. O presidente da AEB (Associação dos Exportadores do Brasil), José Augusto de Castro, afirma que a variação do dólar surge como um desafio "difícil de superar".
— Na exportação, você vende hoje para entregar no futuro. Se as suas condições mudam, simplesmente você não tem condições nenhuma de exportar.
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Diretor titular do Derex (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior) da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Thomaz Zanotto, explica que o real valorizado faz com que os produtos de origem brasileira fiquem mais caros em dólar, movimentação que distancia os compradores do exterior.
— O câmbio está de novo começando a ter um efeito negativo sobre as exportações e um efeito positivo sobre as importações. O Brasil voltou a operar com o câmbio valorizado. Já se acredita que o real esteja supervalorizado em torno de 10% a 12% em relação ao dólar.
Zanotto avalia que a queda de R$ 1 no patamar da moeda norte-americana ante o real no período de um ano representa uma valorização de 26% do real no período, o que classifica como um "erro muito grave" cometido pela área econômica do governo.
Ele afirma que exportação de produtos manufaturados operam com margem de 10% e a mudança atual começa a pesar no bolso dos empresários.
— Na tentativa de mostrar resultados mais favoráveis a curto prazo na inflação, a área financeira do governo deixa o real se valorizar, mantendo um câmbio artificialmente valorizado.
O presidente da AEB defende uma variação cambial “neutra” em um patamar próximo dos R$ 3,70. De acordo com ele, o atual cenário econômico do País necessita que as empresas sejam competitivas ao invés da moeda.















