Após reduzir Selic para 14%, Copom não promete novos cortes e mantém tom de cautela
Banco Central vê sinais de desaceleração da economia, mas mantém alerta sobre inflação e contas públicas
Economia|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (11) a ata da reunião que decidiu pela redução da taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano, mas não deu sinal verde para uma sequência de cortes nos próximos meses.
No documento, o Copom frisou que os próximos passos dependerão da evolução da inflação, da atividade econômica, do mercado de trabalho e das expectativas para os preços.
“A magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Copom. “O Comitê continuará acompanhando os dados para calibrar e refinar os impactos das medidas de estímulo à demanda e dos choques de oferta.”
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O tom de cautela aparece principalmente na avaliação sobre a inflação. Segundo projeção do boletim Focus citado na ata, as expectativas para a inflação são de 5% em 2026 e 4,2% em 2027. No cenário de referência do próprio Copom, a projeção é de inflação de 5,1% neste ano, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.
Para o Banco Central, portanto, o comportamento das expectativas será um dos principais pontos de atenção. “Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, destacou o comitê.
“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo.”
Também nesta terça, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país, desacelerou e ficou em 0,07% em julho, após alta de 0,16% no mês anterior.
No acumulado de 12 meses até julho, o índice apresenta alta de 4,44% — abaixo do teto da meta do Banco Central, de 4,50%. No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 3,44%.
Ritmo da economia
Outro fator que será acompanhado pelo Copom é o ritmo da atividade econômica. A ata aponta que a economia brasileira vem passando por uma moderação gradual, com sinais de desaceleração entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano.
O Banco Central considera que esse movimento é importante para reduzir a pressão sobre os preços. Uma economia muito aquecida tende a aumentar a demanda por produtos e serviços e pode dificultar o controle da inflação. Por isso, o enfraquecimento da atividade é visto pelo Copom como parte do processo de reequilíbrio necessário para levar a inflação de volta à meta.
“O arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, pontuou o comitê.
Contas públicas também entram no radar
A situação fiscal aparece novamente como um dos pontos de preocupação do Banco Central. Na ata, o Copom afirma que a política fiscal pode afetar a demanda no curto prazo e, no longo prazo, influenciar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública e o nível de risco da economia.
“O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia”, frisou o Copom.
“O debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, acrescentou o comitê.
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