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Após reeleição de Dilma, dólar registra maior alta em 3 anos

Moeda norte-americana disparou mais de 2,5% e fechou o dia cotado a R$ 2,52

Economia|Do R7

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Dilma Rousseff comemoração - 800
Dilma Rousseff comemoração - 800 Francisco Stuckert/26.10.2014/Futura Press/Estadão Conteúdo

O dólar disparou mais de 2,5% nesta segunda-feira (27), maior avanço em quase três anos, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). A vitória de Dilma deixa os investidores apreensivos com o futuro da política econômica do País porque a presidente tem um perfil de maior intervenção no mercado, na comparação com seu adversário, o senador derrotado Aécio Neves (PSDB).

A moeda norte-americana subiu 2,68% e fechou cotado a R$ 2,5229 na venda — na máxima do dia, chegou a avançar 4,21%, a R$ 2,5605. Foi a maior alta diária no fechamento desde 23 de novembro de 2011, quando subiu 2,94%, com a moeda renovando a máxima de fechamento desde meados de 2005.


Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,6 bilhão.

Na sexta-feira (24), a divisa norte-americana havia caído 2,26% em meio a rumores de que o desempenho nas urnas de Aécio poderia ser melhor.


"O mercado está operando no escuro", afirmou o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira.

— Nós sabemos quem é a presidente, mas agora queremos saber quem é o ministro da Fazenda e como de fato vai ser esse próximo governo. Só aí vai dar para saber onde o dólar vai se acomodar.


Dilma, cuja política econômica é alvo de críticas de agentes dos mercados financeiros, foi reeleita no domingo com 54,5 milhões de votos, contra 51 milhões de Aécio.

Apesar de a presidente ter acenado com o diálogo, investidores mostravam-se céticos. Segundo analistas, os mercados financeiros devem continuar voláteis até que ela dê sinais concretos de que está disposta a mudar a política econômica.


Em seu discurso após a reeleição na noite passada, a presidente disse que faria "ações locais, em especial na economia, para retomar o nosso ritmo de crescimento".

De acordo com analistas, o mercado já havia parcialmente precificado a vitória de Dilma ao levar o dólar da casa de R$ 2,20 a R$ 2,50 de setembro para cá, e que a divisa deve continuar por volta de R$ 2,55 até que fique mais claro como será o próximo governo.

Alguns, no entanto, eram bem mais pessimistas e chegaram a acreditar que a moeda norte-americana pode ir a R$ 2,70 no curto prazo.

"Tipicamente, o mercado precifica o risco eleitoral bem antes das eleições", escreveu em relatório o estrategista para mercados emergentes do Citi, Dirk Willer.

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Uma outra questão que os mercados vão querer ver resolvida é a formação da nova equipe econômica. Segundo publicou a Reuters na véspera, Dilma quer manter Alexandre Tombini à frente do Banco Central e deve convidar o empresário Josué Gomes para assumir o Ministério do Desenvolvimento. No Ministério da Fazenda, os nomes que ela trabalha são do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do ex-secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa.

Operadores consultados pela Reuters preferem Barbosa a Mercadante e querem saber, também, se o atual secretário do Tesouro, Arno Augustin, será substituído.

"Se houver um ministro menos favorável ao mercado, o real vai se desvalorizar ainda mais. E se o ministro agradar o mercado, o câmbio pode se acomodar", afirmou o operador de câmbio de um importante banco nacional.

Especialistas apontavam ainda, agora com a reeleição de Dilma, que o Banco Central deve continuar em 2015 com o programa de intervenção no câmbio, iniciado em agosto do ano passado. E isso certamente será importante na cotação do dólar.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 4.000 swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, pelas atuações diárias. Foram vendidos 3.100 contratos para 1º de junho e 900 contratos para 1º de setembro de 2015, com volume equivalente a R$ 197,2 milhões.

O BC também vendeu a oferta total de até 8.000 swaps para rolagem dos contratos que vencem em 3 de novembro. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 85% do lote total, equivalente a US$ 8,84 bilhões.

Analistas lembram ainda que a perspectiva é que, no futuro, o dólar volte a ser pressionado, dessa vez pelo cenário externo. A perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos no próximo ano tem preocupado investidores, que temem que recursos atualmente aplicados em mercados como o Brasil migrem para a maior economia do mundo.

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