BB e Caixa podem precisar de aporte do governo em 2018, diz Fitch
Economia|Do R7
SÃO PAULO (Reuters) - O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal vão precisar de aporte do governo federal em 2018 para se manterem dentro de regras regulatórias, se nada for feito para corrigir a condição atual, disse nesta quarta-feira um analista da Fitch.
"Algumas medidas podem ser adotadas para impedir isso, como a venda de alguns ativos para levantar recursos", disse Raphael Nascimento, analista de instituições financeiras da Fitch, durante apresentação a profissionais do mercado financeiro.
Nascimento disse que algumas medidas já têm sido tomadas por ambos os bancos, como pagar um volume menor de dividendos aos acionistas. Mas o BB também pode ter que vender sua fatia no argentino Banco Patagonia, enquanto a Caixa pode ter que se desfazer da participação no Banco Pan, do qual tem 40 por cento do capital.
No mês passado, o BB anunciou que está avaliando uma oferta pública de ações que detém no Banco Patagonia. [nL1N1AP09D]
Segundo Nascimento, os grandes bancos privados do país estão numa situação comparativamente mais confortável, dado que cresceram menos nos últimos anos e ainda mantêm níveis de rentabilidade adequados.
De todo modo, a Fitch prevê que a piora do perfil de crédito de todo o sistema ainda leva algum tempo para ser revertida, dado o cenário econômico adverso do país. Para Nascimento, os índices de inadimplência do setor bancário no país vão continuar crescendo até o final de 2017.
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SOBERANO
Alguns dos principais indicadores considerados pela Fitch Ratings para dar suporte à nota soberana do Brasil tendem a se estabilizar a partir de 2017, disse nesta quarta-feira o diretor da agência de classificação de risco no país, Rafael Guedes.
"Nossos analistas dizem que está havendo uma estabilização", afirmou Guedes em apresentação a profissionais do mercado financeiro durante evento em São Paulo.
Entre os indicadores do Brasil que a Fitch vê tendência de convergência para níveis semelhantes aos de países com a mesma nota pela agência, estão os de crescimento do PIB e de inflação.
A Fitch também previu que o déficit fiscal primário está se estabilizando na casa dos 2,6 por cento do PIB.
"Houve uma piora cíclica muito forte e rápida, mas isso agora está se estabilizando", disse Guedes mais tarde à Reuters. "Agora é lidar com os problemas estruturais."
A nota soberana atual do Brasil pela Fitch é BB, com perspectiva negativa. Desde 2015, o rating brasileiro pela agência foi reduzido três vezes.
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(Por Aluísio Alves)















