Economia Bolsa fecha junho em queda, mas tem melhor trimestre desde 2003

Bolsa fecha junho em queda, mas tem melhor trimestre desde 2003

Índice de referência do mercado acionário brasileiro encerrou o trimestre com declínio de 0,71%, aos 95.055,82 pontos

Reuters
Índice teve maior alta percentual para o período desde 1997

Índice teve maior alta percentual para o período desde 1997

Amanda Perobelli/Reuters - 25.7.2019

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, pressionado por bancos, o que não impediu marcar o terceiro mês seguido de alta e garantir a melhor performance trimestral desde 2003.

A forte recuperação nos últimos meses teve suporte na ampla liquidez global decorrente principalmente de medidas de vários países no combate aos efeitos econômicos da pandemia do Covid-19, mas também na queda da Selic a mínimas históricas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou a sessão com declínio de 0,71%, a 95.055,82 pontos, encerrando junho com valorização de 8,76% e o trimestre em alta de 30,2% — melhor resultado trimestral desde o final de 2003 e maior alta percentual para segundo trimestre desde 1997.

O movimento vem após um tombo de quase 37% nos primeiros três meses do ano, quando prevaleceu a aversão a risco por causa do novo coronavírus. E, apesar de representativa, a reação não reverteu o resultado no ano, que permanece negativo (-17,80%). O Ibovespa também continua distante dos 120 mil pontos que ameaçou romper no começo de 2020.

Um dos destaques para a performance das ações brasileiras no trimestre foi o fluxo histórico de pessoas físicas para a renda variável, apesar da forte volatilidade com a pandemia e cenário político turbulento no Brasil. E o mês de junho também mostrava fluxo positivo de estrangeiros até o dia 26.

Na visão do gestor Werner Roger, da Trígono Capital, o mercado tende a continuar com a disputa entre os que consideram a alta das ações exagerada, de que as economias ainda vão sofrer; e aqueles que avaliam que os estímulos e principalmente os juros baixos mudam o cenário.

"Principalmente aqui no Brasil, (a queda dos juros) mudou completamente o cenário, não restou muita opção de investimentos", acrescentou, avaliando que ficou barato investir em renda variável e afirmando estar do lado do grupo que acredita que os níveis de preço no mercado se justificam.

E mesmo em relação à pandemia da covid-19, acrescentou, se houver uma nova onda de casos, a percepção é de que os protocolos médicos estão mais preparados, há várias vacinas e medicamentos em estudo com perspectivas positivas. "O mundo não será pego desprevenido como foi com a primeira onda", afirmou.

O volume financeiro no pregão desta terça-feira totalizou R$ 27,5 bilhões, um pouco abaixo da forte média diária do mês de R$ 32,5 bilhões.

Nesta sessão, o Ibovespa oscilou da mínima de 94.806,47 pontos à máxima de 96.257,30 pontos, com noticiário corporativo também no radar, além de ajustes tradicionais em fechamento de período e tendo ainda Wall Street no radar.

"O Ibovespa permanece travado entre os 94.000-97.700 e precisará romper em um destes extremos", avalia o analista Fernando Góes, da Clear Corretora, acrescentando que, pela sua leitura do gráfico, há chance maior de que rompa para cima.

"Para anular a probabilidade de alta atual, o Ibovespa precisaria perder o seu suporte mais forte que é o dos 90 mil pontos e seria um banho de água fria no mercado", observou.

Destaques

- IRB BRASIL RE fechou em queda de 11,72%, ao final de sessão volátil, após reportar resultado do primeiro trimestre e republicar balanço de 2019 com forte piora no desempenho em razão de fraude contábil. A resseguradora ainda fará uma captação bilionária de recursos para repor provisões técnicas regulatórias, enquanto reavalia desmobilizar alguns negócios fora da América Latina e recuperar a confiança do mercado. O IRB responde pela maior queda do Ibovespa em 2020, com declínio de mais de 70%.

- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON recuaram 0,51% e 0,98%, respectivamente, na esteira do declínio do petróleo no mercado externo. A companhia prorrogou teletrabalho até fim do ano e disse ver retomada gradual em algumas áreas. No radar do setor, a Royal Dutch Shell disse que fará uma baixa contábil de ativos no valor de até 22 bilhões de dólares após impactos do Covid-19.

- ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 3,89% e BRADESCO PN perdeu 3,32%, pesando no Ibovespa, em meio a retomada de ruídos sobre aumento na tributação do setor. BTG PACTUAL UNIT subiu 0,66%, um dia após precificar a 74,40 reais por unit oferta primária com esforços restritos, movimentando 2,65 bilhões de reais, que devem ser, em parte, destinados a acelerar o crescimento da área de varejo digital.

- VALE ON fechou com acréscimo de 0,52%, apesar da queda dos futuros do minério de ferro na China. Analistas do BTG Pactual afirmaram que saíram "encorajados" de conversa com executivos da mineradora e acrescentaram que consideraram bastante construtivas as mensagens da companhia em várias frentes, incluindo retomada de dividendos, que eles esperam para o terceiro trimestre de 2020. No setor de mineração e siderurgia, GERDAU PN subiu 2,04%, USIMINAS PNA avançou 1,68% e CSN ON ganhou 1,23%

- XP INC., que negocia em Nova York, fechou em queda de 3,47%. A maior companhia independente de assessoria de investimentos da América Latina anunciou na segunda-feira uma oferta secundária de 19,5 milhões de ações e estimou que o lucro líquido do segundo trimestre pode alcançar até 520 milhões de reais, mais que o dobro do obtido um ano antes. No trimestre, papel valorizou-se quase 118%.

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