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Com novas diretrizes, BNDES vai cobrar taxas maiores e depender menos do Tesouro

Economia|Do R7

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Um novo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mais enxuto e focado, começou a surgir nesta terça-feira, 23, com o anúncio de mudanças nas diretrizes de sua política operacional.

Na prática, as taxas subirão para as empresas em geral e juros subsidiados ficarão restritos a projetos prioritários, como infraestrutura, energia renováveis, transporte coletivo urbano, transporte hidroviário e ferroviário e inovação tecnológica.

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Tudo isso para o banco precisar menos dos aportes do Tesouro Nacional, que nos últimos anos tornaram-se sua principal fonte de recursos - mas geraram um custo nas contas do governo de cerca de R$ 30 bilhões este ano, ou 0,58% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo cálculos do economista Gabriel Leal de Barros, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), feitos a pedido do jornal O Estado de S. Paulo.

Reduzir o montante de empréstimos subsidiados é uma resposta à necessidade de reduzir os aportes do Tesouro no BNDES, um dos marcos do ajuste na política econômica anunciado pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

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"A nova política operacional visa minimizar o esforço para obtenção de recursos em TJLP. É um esforço muito grande de poupar recursos", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ao apresentar as novas taxas.

A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP, passará de 5,0% para 5,5% ao ano, a partir de 1º de janeiro) baliza os empréstimos subsidiados do BNDES. Para oferecer juros tão baixos, o banco usa fontes de recursos extremamente baratos, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e, mais recentemente, os aportes do Tesouro, empréstimos que o governo faz à instituição financeira.

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Em 2007, o Tesouro respondia por apenas 7,5% da estrutura de capital do BNDES, segundo cálculo de Barros, do Ibre/FGV. No primeiro semestre deste ano, esse peso chegou a 52,8%.

Por isso, para reduzir a necessidade de novos aportes, o BNDES terá que buscar novas fontes de recursos e - principalmente - reduzir o montante emprestado com TJLP. Isso poderá resultar em recuo nos desembolsos anuais do banco de fomento, que ano passado foram de R$ 190,4 bilhões.

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Embora tenha citado nesta terça a necessidade de captar mais recursos no mercado, Coutinho foi vago sobre a forma como isso poderá ser feito e disse apenas que há estudos.

A falta de fontes de "funding" (empréstimos que os bancos pegam no mercado para emprestar para seus clientes) de longo prazo no Brasil é um dos motivos pelos quais os bancos privados não emprestam para investimentos de longa maturação. Por isso, é mais fácil reduzir os empréstimos baratos.

Assim, com as mudanças anunciadas, a participação máxima do financiamento do BNDES a um projeto cai de 90% para 70% do total investido. Somente os projetos prioritários poderão ter o total do empréstimo com TJLP.

Projetos corriqueiros no banco, como da indústria pesada (bens de capital, eletroeletrônica) poderão ter no máximo 50% de recursos do BNDES.

Barros desconfia da viabilidade de reduzir o tamanho do BNDES de forma rápida. Nos cálculos feitos para o Estado, ele estimou um novo aporte do Tesouro de R$ 13,3 bilhões em 2015 e outro de R$ 38,5 bilhões em 2016 - no início do mês, o governo anunciou R$ 30 bilhões - e uma elevação gradual da TJLP até 7,5% no fim de 2016. Assim, o custo nas contas do governo com os empréstimos ao BNDES cairiam para R$ 20 bilhões em dois anos, ou 0,34% do PIB.

Uma improvável parada nos aportes já a partir de 2015 poderia reduzir esse custo a 0,25% do PIB (R$ 15 bilhões) em 2016. "Isso não é viável no curto prazo, mas seria no médio prazo, em 2017 e 2018, com uma regra de transição", disse Barros.

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