Com R$ 5.000, empresa transforma barracos quase inabitáveis em casas de verdade
Construtora de baixo custo faz serviço em cinco dias, oferece garantia e parcela em 12 vezes
Economia|Maria Carolina de Ré, do R7

O motoboy Ricardo Silva Santos, de 36 anos, tem uma casa própria, mas passava pouco tempo lá. A falta de ventilação no imóvel, localizado em uma comunidade do Jardim Ibirapuera, zona sul de São Paulo, fazia com que o ambiente ficasse quase inabitável. No banheiro, havia o mofo do chão ao teto.
Veja o antes e o depois das casas reformadas em cinco dias na periferia de São Paulo
Como não tinha dinheiro para reformar, Ricardo empurrava as condições precárias em que vivia e, ao mesmo tempo, prejudicava sua saúde. Isso mudou no ano passado quando uma empresa que oferece serviços de reforma para atender a população de baixa renda começou a trabalhar no local.
— Comprei a casa há 15 anos. Quando mudei, passei uma mão de massa corrida e nunca mais reformei. Em agosto, um amigo me indicou a Vivenda, que fazia a reforma em cinco dias e ainda parcelava o pagamento. Sou pai de três crianças e não tinha condição de trazê-las aqui em casa antes da obra porque o ambiente era insalubre.
A reforma na casa do motoboy, orçada em R$ 3.600, foi dividida em 12 vezes sem juros, com cada parcela custando R$ 314,45. Com esse dinheiro, a Vivenda transformou o banheiro, instalou dois exaustores para limpar o ar, trocou toda a parte elétrica e o piso dos cômodos.

— Mudou minha vida, até já indiquei [o serviço] para uma tia. Não ia conseguir fazer um empréstimo porque tenho nome sujo no SPC [Serviço de Proteção ao Crédito]. Aqui na comunidade da Erundina tem muita gente que está na mesma situação que eu.
O negócio
Igiano Lima, um dos sócios fundadores da Vivenda, conta que a ideia de abrir um negócio de reforma surgiu da experiência dele e de Marcelo Coelho — outro sócio que também falou com o R7 — quando ambos eram empregados da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).
— Trabalhavamos na CDHU atendendo os bairros periféricos de São Paulo, onde aconteceram assentamentos e invasões de terrenos públicos. Percebemos que, com o passar do tempo, o governo acabava levando a infraestrutura, pavimentava as ruas e colocava luz, mas não investia nas casas. Da porta para dentro, as condições de vida continuavam precárias. Por isso, fizemos uma série de pesquisas até chegar ao modelo de negócio que deu origem a Vivenda.
Em quatro anos de análise e pesquisa, os sócios concluíram que as barreiras que retardam reformas nas casas de periferia são a dificuldade que os moradores têm para obter crédito, falta de mão de obra especializada e de assistência técnica.
Marcelo explica que a Vivenda atua nessas três frentes. Ela faz a reforma com mão de obra especializada, compra material e oferece a garantia do serviço. A companhia também financia a obra para depois receber o pagamento do serviço total parcelado.
— Para não elevar o preço, que varia de R$ 3.600 até R$ 5.000, fechamos contratos em várias casas antes de começar a trabalhar. Não consultamos o SPC para verificar se a pessoa pode pagar pela obra. Um funcionário vai analisar as condições do local e fazer um orçamento, que leva em conta os custos da obra, as despesas e os ganhos da família. Com essa planilha, descobrimos se os interessados conseguem pagar. Também levamos os boletos pessoalmente para estreitar o relacionamento com os clientes.
A Vivenda começou a operar em abril de 2014 e, desde então, já fez 72 reformas em três comunidades do Jardim Ibirapuera. Na maioria das vezes, eles são chamados para transformar os banheiros. A sede da empresa fica na própria comunidade.
— E fundamental conquistar o respeito dos moradores. Nossa maior propaganda é o boca-a-boca. Criamos um negócio social por isso. Não buscamos lucro em uma obra, mas fechamos um conjunto de reformas que nos permite pagar menos pelo material e pela mão de obra. Assim, ganhamos em escala.
Por enquanto, a empresa atua somente em uma área restrita da zona sul. Os sócios disseram que ainda vão demorar para expandir para outras áreas porque o processo de reforma é muito difícil na periferia. Segundo Igiano, "ainda temos muitas casas para transformar aqui".
— As reformas são em ciclos. Clientes que fizeram o banheiro, agora querem mudar a sala, por exemplo. Vamos crescer aqui para depois pensar em expandir.















