Conselho troca comando da petroleira de Eike Batista
Paulo Narcélio Simões Amaral vai suceder Luiz Eduardo Guimarães Carneiro como presidente
Economia|Do R7

O Conselho de Administração da endividada petroleira OGX demitiu o presidente-executivo nesta terça-feira (15) e convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para destituir e eleger novos membros do Conselho, abrindo caminho para que Eike Batista possa deixar o posto de chairman da companhia.
O Conselho nomeou Paulo Narcélio Simões Amaral para suceder Luiz Eduardo Guimarães Carneiro como presidente-executivo da empresa, de acordo com fato relevante divulgado nesta terça-feira (15). Ele acumulará os cargos de diretor financeiro e de Relações com Investidores.
O diretor jurídico José Roberto Penna Chaves Faveret Cavalcanti também deixou a empresa e o advogado Darwin Corrêa foi contratado como consultor jurídico do Conselho de Administração.
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As mudanças na diretoria e a convocação assembleia ocorrem em meio a notícias de que Eike Batista poderia ceder o controle da endividada petrolífera, o que levou as ações da empresa a dispararem 47,8% nesta terça-feira (15), a R$ 0,34.
Alguns participantes do mercado acreditam que se Eike deixar o controle da OGX isso acalmaria as tensas negociações com os credores e potencialmente facilitaria uma solução para salvar a empresa da falência. A assembleia extraordinária foi marcada para o dia 1º de novembro.
O Conselho também determinou à diretoria que contrate uma consultoria especializada para realização de auditoria nos exercícios sociais de 2008, quando estreou na Bovespa, a 2013.
A consultoria Angra Partners será responsável por coordenar e assessorar a OGX em seu processo de reestruturação, de acordo com o fato relevante.
"A decisão do Conselho de Administração tem por objetivo fortalecer a gestão da Companhia para a reavaliação de sua estratégia e elaboração e implementação de um projeto de reestruturação que atenda os melhores interesses da coletividade de seus acionistas, funcionários e credores, cumprindo com a sua função social", disse a empresa em fato relevante.
Questionamento
Sob o comando de Carneiro, que assumiu a OGX em junho de 2012, a diretoria da empresa decidiu exercer, no começo de setembro, uma opção contra Eike para que ele injete até R$ 2,18 bilhões (US$ 1 bilhão) na companhia, que está negociando com detentores de bônus para evitar o que seria o maior calote corporativo da história da América Latina. Eike está questionando a opção e disse que poderá recorrer à Câmara de Arbitragem.
Carneiro também foi voz contrária à demissão do ex-diretor financeiro da OGX Roberto Bernardes Monteiro, anunciada em 20 de setembro.
A derrocada da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso do grupo de empresas de Eike, acelerou após sucessivas frustrações com o nível de produção da petroleira. No início de julho, a companhia decidiu não seguir adiante com o desenvolvimento de algumas áreas na bacia de Campos antes consideradas promissoras.
Com pouco dinheiro disponível e fracasso em sua campanha exploratória até agora, em agosto a OGX desistiu de adquirir nove dos 13 blocos que arrematou na última licitação de áreas de petróleo, evitando o pagamento de R$ 280 milhões ao governo por direitos exploratórios.
Em 1º de outubro, a OGX optou por não pagar juros sobre bônus no exterior no valor de cerca de R$ 98,25 milhões (US$ 45 milhões), referentes à dívida de R$ 2,4 bilhões (US$ 1,1 bilhão) em títulos com vencimento em 2022. A OGX tem até o início de novembro "para adotar as medidas necessárias sem que seja caracterizado o vencimento antecipado da dívida".
No total, apenas em bônus no mercado internacional a OGX tem dívida de R$ 7,85 bilhões (US$ 3,6 bilhões). A OGX contratou como assessores o banco Lazard e o grupo de investimentos Blackstone para coordenar as discussões com os detentores de bônus.














