Logo R7.com
RecordPlus

Conta de luz e alimentos reforçam cenário de estouro da meta de inflação

Se cenário de estouro da meta for confirmado, seria terceira vez só nos últimos quatro anos que inflação fica fora do intervalo de tolerância

Economia|Do R7

  • Google News
Pressionada pelos alimentos, inflação tem a maior alta para setembro desde 2003
Pressionada pelos alimentos, inflação tem a maior alta para setembro desde 2003 Print Jornal da Record

A adoção da bandeira tarifária vermelha nas contas de energia elétrica e os efeitos do clima seco e da estiagem sobre os preços de alguns alimentos devem fazer com que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estoure o teto da meta, de 4,5%, em 2024. A previsão é de economistas consultados pelo Estadão/Broadcast.

Se o cenário de estouro da meta for confirmado, seria a oitava vez, desde a adoção do regime, em 1999, que a inflação fica fora do intervalo de tolerância, e a terceira só nos últimos quatro anos (2021, 2022 e 2024), período em que o Banco Central (BC) está sob o comando de Roberto Campos Neto. Quando a inflação fica acima do teto ou abaixo do piso estabelecido, o presidente do BC deve escrever uma carta ao Conselho Monetário Nacional (CMN) com a descrição detalhada das razões que levaram ao rompimento do limite.

Na sexta-feira, a XP Investimentos e o Santander Brasil elevaram suas estimativas para o IPCA de 2024, de 4,4% para 4,6%, e de 4 1% para 4,4%, respectivamente. Em relatório, ambas as instituições atribuíram o cenário às condições climáticas, com efeito altista tanto nos preços da energia quanto dos alimentos. “O período seco está se aproximando do fim, com chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas, que podem durar por mais algumas semanas ainda”, escreveu o Santander.

BANDEIRA

A bandeira tarifária da energia passou de verde em agosto para vermelha 1 em setembro e para vermelha 2 (o nível mais crítico possível) em outubro. Tanto Santander quanto a XP preveem que a bandeira ao final do ano ficará ao menos em vermelha 1, perspectiva que também é corroborada por técnicos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), conforme apuração do Estadão/Broadcast.

João Fernandes, o economista da Quantitas, uma gestora de fundos de investimento, também aponta a bandeira vermelha como um dos vetores que corroboram o cenário de estouro do teto da meta em 2024. Ele projeta IPCA de 4,7% no final do ano e considera um cenário em que há 70% de chance de bandeira tarifária vermelha 2 em dezembro e 30% de chance de bandeira vermelha 1.

Fernandes destaca, porém, que o maior risco para a alta da inflação no curto prazo são os preços dos alimentos. “A principal vilã do momento é a carne bovina”, diz o economista, observando que a cotação da arroba do boi gordo tem subido consistentemente nas últimas semanas.

Ele não descarta a possibilidade de um IPCA abaixo dos 4,5% ao final do ano, caso haja um volume de chuvas mais forte do que o esperado para este mês, trazendo alívio tanto para os reservatórios quanto para a produção agropecuária. “Mas seria um cenário onde as coisas surpreendem no sentido benigno”, reforça.

A projeção da economista do BNP Paribas para Brasil, Laiz Carvalho, é de IPCA em 4,4% em 2024. A estimativa considera a adoção da bandeira tarifária vermelha 1 para o final do ano e inflação de alimentos de 6% no acumulado de 2024, mas Laiz reconhece que o viés é de alta.

“Já estamos considerando uma retomada dos preços de alimentos para os próximos meses, pelo efeito das secas recentes e pelo comportamento sazonal mais alto de alimentos no final do ano”, diz a economista. Caso a vigência para dezembro seja de bandeira tarifária vermelha 2, Laiz calcula IPCA de 4,67%, acima do teto.

O Itaú Unibanco também ainda prevê inflação abaixo do teto da meta (4,4%), mas reconhece que os riscos hoje são de alta. “O balanço de riscos é majoritariamente altista com chance de a seca pressionar ainda mais os preços de energia (via acionamento de bandeira vermelha 1 em dezembro) e de alimentos”, alerta o banco, em relatório do economista-chefe, Mario Mesquita, divulgado na sexta-feira.

Esses riscos relacionados com questões climáticas, porém, podem ser compensados, ainda que parcialmente, por uma redução no preço da gasolina, na esteira da defasagem entre o preço doméstico e a cotação internacional do combustível, ressalta o Itaú.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.