Decisão da KLM deixa clientes descontentes e abre espaço para processos
Para Procon, todos os compradores das passagens baratas têm direito à viagem
Economia|Alexandre Garcia, do R7

A empresária Marcela Miranda comprou na segunda-feira (1º) duas passagens promocionais para a Itália, pela KLM, para reencontrar a mãe após cinco meses.
— Eu não ia conseguir visitar minha mãe no Natal, que era o meu plano original, porque as passagens estavam muito caras. Já tinha até desistido e falado para ela que não iria. Quando fiquei sabendo da promoção na segunda-feira, resolvi comprar para qualquer data.
O sonho de Marcela, no entanto, durou pouco tempo. A promoção não passava de um “erro” no site da KLM, segundo admitiu a companhia no dia seguinte. Marcela, que não teve o bilhete emitido, ficou sem a viagem.
A empresária foi prejudicada porque a KLM decidiu, na quarta-feira (3), confirmar a viagem apenas dos clientes que receberam o e-ticket ou que fizeram a compra pelo site da companhia.
Mas, segundo o Procon-SP, os consumidores que não foram contemplados poderão sim viajar, mas apenas se puderem comprovar o pagamento online (mesmo que o valor não tenha sido descontado do cartão de crédito).
Apesar de erro, compradores de passagens baratas da KLM têm direito à viagem
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Segundo Marta Aur, assessora técnica do Procon-SP, os consumidores não podem ser responsabilizados por um problema que não foi gerado por eles.
— Se o consumidor efetuou o pagamento e passou da tela de pagamento, ele tem direito ao cumprimento da oferta, porque quem emite o e-ticket e faz a confirmação é a companhia aérea, e [a empresa] pode ter efetuado o cancelamento após ter detectado esse problema.
A advogada Andyara Vasconcelos, que comprou duas passagens com destino a Madri pelo site Decolar.com, criou um grupo no Facebook para centralizar as reclamações dos consumidores insatisfeitos.
Beneficiada pela decisão da KLM, Andyara conta que, pela rede social, observa que os clientes desejam até entra com possíveis ações conjuntas contra os vendedores dos bilhetes.
— A grande maioria [dos internautas que compraram passagem] está reunindo um grande número de provas com documentos que comprovem a compra e o débito no cartão. (...) Eles estão inclusive estão trocando entre si informações e documentos.
Para Marta, do Procon, não é correto a companhia aérea contemplar alguns clientes e prejudicar outros.
— Eles não podem se isentar dessa responsabilidade. Estava lá. A oferta foi feita. Se os fornecedores foram lá e adquiriram a passagem, estava disponível e eles não têm que como fazer essa distinção.











