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Dólar à vista fecha em alta de 0,57%, a R$ 5,1749 na venda

Elevação se deve a tensões internas e externas: as novas críticas de Lula ao Banco Central e à Selic e a política monetária dos EUA

Economia|Do R7

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Dólar começa a semana em alta e operava acima de R$ 5,20 na segunda (6) à tarde
Dólar começa a semana em alta e operava acima de R$ 5,20 na segunda (6) à tarde

O dólar avançou frente ao real nesta segunda-feira (6), com novas tensões entre o governo e o Banco Central e a possível intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ampliar a isenção do Imposto de Renda, afastando investidores do risco, ainda em meio a temores sobre a trajetória de aperto monetário do Federal Reserve.

A moeda americana à vista fechou em alta de 0,57%, a R$ 5,1749 na venda, o nível de encerramento mais alto desde 23 de janeiro (R$ 5,1993). Por volta das 14h42 no horário de Brasília, a moeda à vista subia 1,28%, indo a R$ 5,2108 na venda, um dos maiores níveis do dia.


Segundo Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora, a valorização do dólar vem em linha com o fortalecimento da divisa no exterior frente à maioria de seus pares. Ela decorre de temores e da redução de esperanças de que o Fed (Federal Reserve), o banco central do Estados Unidos, encerre o atual ciclo de aperto monetário, com juros abaixo de 5%.

Rugik afirma que investidores também se mostraram desconfortáveis com a aparente tensão entre o governo brasileiro e o Banco Central, depois de Lula ter dito que era uma "vergonha" a explicação dada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para o atual patamar da taxa de juros. O presidente da República pediu à classe empresarial e à sociedade que reclamem do nível da Selic.


Lula e membros de sua administração criticam de forma recorrente a taxa de juros elevada, atualmente em 13,75%, assim como a independência do BC. A Selic alta beneficia o real ao torná-lo atraente para estratégias de investimentos que lucram com diferenciais de juros entre economias, mas tende a restringir a atividade econômica, o que joga contra a agenda desenvolvimentista do governo.

A pauta fiscal também colaborava para a cautela no mercado doméstico nesta segunda, depois de duas fontes terem dito, no sábado (4), que o governo estuda aumentar ainda neste ano a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que ganham até dois salários mínimos.


Uma isenção mais ampla representaria uma renúncia de receita muito maior, em um momento em que a equipe econômica busca reduzir o forte déficit primário esperado para 2023 e sinalizar disciplina fiscal.

"Tem uma preocupação efetivamente sobre como o governo vai lidar com essa isenção do IR. Não se tem ainda ideia de onde vai sair esse dinheiro, até porque vai ter que ter uma contrapartida para conseguir aprovar isso conforme a lei de responsabilidade fiscal e jogar isso em cima do Orçamento", explicou Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.

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