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Dólar abaixo de R$ 5 e quedas consecutivas refletem confiança de investidores no Brasil

Movimento reflete entrada de capital estrangeiro, desaceleração nos EUA e diferencial de juros favorável ao Brasil

Economia|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O dólar recuou para cerca de R$ 5,00, o menor valor em meses, influenciado por fatores externos e juros altos no Brasil.
  • Especialistas atribuem a queda à demanda por ativos em mercados emergentes e à manutenção da taxa Selic elevada, atraindo investimentos estrangeiros.
  • O fluxo de capital na B3 aumentou significativamente, refletindo um cenário favorável para o Brasil em comparação aos EUA, com incertezas políticas na administração de Donald Trump.
  • A sustentabilidade desse movimento ainda é incerta, podendo ser afetada por deteriorações fiscais ou tensões globais, com previsões de que o dólar possa voltar a subir no futuro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dólar recuou para cerca de R$ 5,00, o menor valor em meses, influenciado pelos juros altos no Brasil Fotográfo/Agência Brasil- 08.03.2022

O dólar vem registrando queda frente ao real nos últimos dias, acumulando recuo de cerca de 2% a 3% na última semana e chegando a rondar os R$ 5,00 — o menor patamar em meses. Apesar da tendência de baixa, a moeda norte-americana ainda apresenta oscilações no curto prazo, influenciada por fatores externos e ajustes de mercado.

Especialistas ouvidos pelo R7 avaliam os motivos da queda e discutem se o movimento tende a se sustentar ou se é apenas pontual.


Para o economista Renan Silva, a recente desvalorização do dólar frente ao real, que levou a moeda a romper o patamar de R$ 5,00, reflete uma combinação de juros domésticos elevados e um cenário global de realocação de capital para mercados emergentes.

“Pela primeira vez em dois anos, o dólar comercial fechou abaixo da marca psicológica de R$ 5, devido à demanda de investidores em busca de ativos fora dos EUA, reflexo das incertezas políticas relacionadas ao governo de Donald Trump”, afirma.


Segundo Silva, o Brasil é visto como um “vencedor líquido” em um cenário de alta nos preços de energia e commodities, o que atrai dólares via balança comercial. Além disso, dados de inflação acima do esperado reforçam a expectativa de manutenção de juros elevados pelo Banco Central, o que favorece a valorização do real.

Atualmente, o cenário global tem sido o principal motor desse movimento, com uma “rotação” de investimentos em direção a países emergentes. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos oferece uma taxa real próxima de 8%, sustentando a moeda brasileira mesmo diante de incertezas fiscais.


Para Daniel Borges, CEO da Route Investimentos, os dados mais recentes dos EUA indicam desaceleração da inflação e do emprego.

“Isso reduz a pressão por aumento de juros por lá, enfraquecendo o dólar no mundo todo. Com isso, moedas como o real acabam se valorizando. No Brasil, os juros ainda altos ajudam a sustentar esse movimento”, avalia.


O economista e especialista em mercado financeiro Marcos Hanna destaca que a valorização do real está diretamente ligada ao fluxo de entrada de capital estrangeiro.

“O que muda é o que gera esse fluxo. Tradicionalmente, a balança comercial é a principal âncora do dólar no Brasil, especialmente em um cenário de preços elevados do petróleo. Mais recentemente, porém, houve um fluxo intenso via carry trade, impulsionado pelos juros reais próximos de 9,7%”, explica.

Segundo ele, outro fator relevante foi o forte ingresso de capital na B3, que captou R$ 53,8 bilhões no primeiro trimestre, o dobro de todo o ano de 2025, refletindo as máximas históricas do Ibovespa. “Esses movimentos pressionaram ainda mais o dólar, que já vinha em trajetória de queda desde o início de 2026”, acrescenta.

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Favorecimento externo

Renan Silva afirma que a busca por ativos “baratos” fora dos EUA favorece o Brasil, visto como distante de conflitos geopolíticos diretos. “A estratégia segue forte. Com a Selic projetada em torno de 12,5% ao ano, o diferencial de juros atrai investidores que se financiam em dólar para aplicar em real”, diz.

Ele destaca ainda o volume expressivo de capital estrangeiro no país. “Somente em janeiro de 2026, o fluxo líquido foi de R$ 26,3 bilhões, o maior volume mensal já registrado. No acumulado do ano, o aporte na bolsa já ultrapassa R$ 65 bilhões”, afirma.

Para Daniel Borges, esse movimento tem origem principalmente no exterior. “No curto prazo, [o investimento] vem mais de fora. O mercado global está mais disposto a assumir risco, o que favorece emergentes. O cenário interno ajuda a evitar pioras, mas ainda não é suficiente para puxar uma valorização mais forte do real”, avalia.

Ele ressalta que os juros elevados no Brasil continuam sendo um atrativo importante. “Esse diferencial ajuda a manter o dólar sob controle, mesmo com incertezas políticas e fiscais”, diz.

Marcos Hanna acrescenta que a política econômica dos EUA também contribui para a desvalorização da moeda americana. “Medidas como a tarifação global geraram incerteza e fuga de capital. Além disso, há pressão por redução dos juros nos EUA, o que enfraquece o dólar”, explica.

Segundo ele, o recente conflito no Irã também influenciou o câmbio. “Durante a tensão, houve maior busca pelo dólar como ativo seguro. Com o cessar-fogo, a percepção de risco diminuiu e os fluxos voltaram a circular, reduzindo a cotação”, afirma.

A queda deve durar?

Para Renan Silva, o movimento atual é um ajuste de curto a médio prazo, com sustentabilidade ainda incerta. “As projeções indicam que o dólar pode testar níveis entre R$ 4,95 e R$ 4,98, caso o otimismo se mantenha”, diz.

Ele alerta, porém, para riscos. “Qualquer deterioração fiscal no Brasil ou agravamento de tensões globais pode provocar fuga de capital. A média dos analistas ainda projeta o dólar próximo de R$ 6,00 entre 2027 e 2028”, afirma.

Daniel Borges segue a mesma linha. “Por enquanto, parece um movimento de curto prazo. Para uma queda consistente, o Brasil precisaria avançar na organização fiscal ou haver mudanças mais fortes nos juros dos EUA”, avalia.

Segundo ele, o dólar pode voltar a subir caso haja piora no cenário externo ou interno. “Se a inflação nos EUA subir novamente ou se houver problemas fiscais no Brasil, o mercado reage rapidamente”, afirma.

Para Marcos Hanna, o recuo pode até se sustentar, mas depende da percepção de risco do país. “Se o mercado entender que o Brasil reduziu o risco fiscal, o movimento pode continuar. Caso contrário, nem os juros elevados serão suficientes para manter o capital estrangeiro”, conclui.

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