‘Piora o que já estava ruim’, afirma setor de calçados sobre nova tarifa dos EUA
Diante da taxa de 12,5%, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados projeta queda nas exportações e pede apoio do governo
Economia|Do R7, em Brasília
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Após o anúncio dos Estados Unidos de aplicar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) projeta prejuízos para o setor. Para o presidente executivo da entidade, Haroldo Ferreira, a medida “piora o que já estava ruim”.
Ele ressalta que a sanção norte-americana aumenta a diferença tarifária entre o Brasil e outros países fornecedores de calçados — em especial os asiáticos, como Vietnã, Indonésia e Camboja. “Perderemos ainda mais mercado para esses concorrentes”, avalia.
Na quarta-feira (22), quando entrou em vigor a primeira tarifa, de 25%, a indústria de calçados já havia estimado uma queda de 3,6% a 7,1% nas exportações.
Na opinião do dirigente, além do Plano Brasil Soberano 3, anunciado na quarta, o governo federal deve adotar outros instrumentos para proteger o setor produtivo. Ele defende, por exemplo, a ampliação do Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras) — programa criado em 2015 que devolve às empresas exportadoras parte dos impostos pagos ao longo da produção.
“Há previsão legal para ampliar essa alíquota para até 5%, o que ajudaria a amenizar os impactos sobre as empresas exportadoras neste momento de dificuldades no mercado internacional”, afirma Ferreira.
Mercado doméstico
Paralelamente ao apoio às exportações, Haroldo Ferreira aponta que a perspectiva de queda nas vendas para o exterior demanda a proteção do mercado interno. Segundo ele, “torna-se ainda mais urgente a adoção de salvaguardas e de outros instrumentos de defesa comercial que protejam o mercado doméstico do avanço expressivo e nocivo das importações”.
De acordo com a Abicalçados, no primeiro semestre do ano, entraram no Brasil mais de 25 milhões de pares de calçados — um crescimento de 15,6% nas importações.
Acúmulo de tarifas
Nesta quinta-feira (23), os EUA anunciaram a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida entrou em vigor na madrugada desta sexta (24).
O novo percentual substitui a cobrança temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à tarifa de 25%, válida desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações nacionais para o mercado norte-americano poderá enfrentar uma tributação de até 37,5%.
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