Dólar cai 1,46% e fecha a R$ 5,65, com ata do Copom e recuperação global
O Ibovespa também recuperou o nível dos 126 mil pontos, com diminuição dos temores de recessão nos EUA
Economia|Do Estadão Conteúdo

A recuperação no exterior e o tom duro da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) derrubaram o dólar no mercado doméstico na sessão desta terça-feira (6). Em baixa desde a abertura dos negócios e com mínima a R$ 5,6313 no início da tarde, a moeda americana fechou cotada a R$ 5,6574, em queda de 1,46%.
Na segunda-feira, no auge do estresse lá fora, o dólar havia superado pontualmente os R$ 5,85, atingindo os maiores níveis desde março de 2021.
O Ibovespa também recuperou o nível dos 126 mil pontos nesta terça-feira, na esteira dos ganhos firmes das bolsas de Nova York e da melhora no desempenho de ações ligadas a commodities.
Com a diminuição dos temores de recessão nos EUA, investidores abandonaram o refúgio dos Treasuries (títulos americanos) e voltaram aos mercados acionários.
As bolsas asiáticas se recuperaram e os índices em Nova York subiram mais de 1%. O iene caiu cerca de 0,60% em relação ao dólar, o que aliviou a pressão sobre divisas de países de juros altos, abaladas nos últimos dias pelo desmonte das operações de carry trade financiadas na moeda japonesa.
O real ostentou o melhor desempenho entre as principais divisas globais. Além de uma correção técnica, a moeda brasileira foi beneficiada pela sinalização do Banco Central de que pode elevar a taxa Selic. Além de eventual ampliação do diferencial de juros interno e externo, uma vez que o Federal Reserve (banco central americano) deve cortar a taxa básica americana em setembro, há um ganho de credibilidade da política monetária com o discurso uníssono do Copom.
O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, observa que a moeda brasileira se beneficiou de uma melhora do ambiente externo, com recuperação das bolsas e avanço das taxas dos Treasuries, o que mostra menor aversão ao risco.
”Mais o ponto principal foi a ata do Copom bem mais dura, sugerindo que houve um debate sobre alta dos juros. Essa mudança no tom da política monetária provocou o fortalecimento maior da nossa moeda”, afirma Lima.
Divulgada pela manhã, a ata do Copom trouxe um recado claro de que há possibilidade de elevação da taxa Selic em breve, algo que não identificado por analistas no comunicado de quarta-feira passada (31), quando o colegiado decidiu manter a taxa Selic em 10,50% ao ano.















