Dólar cai a R$ 3,16 e tem maior queda trimestral desde de 2016
Mesmo com alta de 0,64% em setembro, a moeda caiu 4,38% no trimestre
Economia|Do R7

O dólar encerrou o último pregão de setembro em baixa, se reaproximando do nível de R$ 3,15, com investidores corrigindo parte da alta acumulada na semana em dia de ambiente político mais tranquilo e notícias econômicas mais favoráveis.
Na sessão desta sexta-feira (29), a moeda recuou 0,48%, a R$ 3,1676 na venda, encerrando setembro com alta de 0,64%, segundo mês consecutivo de avanço. Na semana, a moeda norte-americana subiu de 1,28%. O dólar futuro tinha baixa de 0,45%.
No trimestre, no entanto, o dólar cedeu 4,38%, o maior recuo trimestral desde o período de abril a junho de 2016 (queda de 10,65%). No ano até agora, o dólar acumula baixa de 2,53%.
Na mínima do dia, a moeda foi a R$ 3,1567 e, na máxima, R$ 3,1913.
"Com o ambiente doméstico mais tranquilo e os dados dos EUA, o dólar corrigiu um pouco dos excessos dos últimos dias", avaliou a diretora da AGK Corretora Miriam Tavares.
A moeda iniciou a sessão com pequena elevação, mas com a divulgação de dados norte-americanos de inflação mais fracos que o esperado, o dólar firmou uma trajetória de baixa que se sustentou no restante do dia.
Nem mesmo a formação da Ptax — taxa que corrige diversos contratos cambiais — de final de mês foi suficiente para interferir na trajetória.
O núcleo do índice de preços PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 0,1% em agosto, atingindo 1,3% na comparação anual, ante 1,4% em julho, o resultado mais fraco desde novembro de 2015. O índice PCE é a medida de inflação preferida do Federal Reserve.
O banco central dos Estados Unidos sinalizou na semana passada que espera mais um aumento dos juros até o final do ano, depois de duas altas. Os mercados financeiros estão precificando 71% de chances de alta dos juros em dezembro, contra 76% antes, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME.
O dólar registrava leve baixa ante uma cesta de moedas e tinha leves elevações ante divisas emergentes, como o rand sul-africano e a lira turca.
Os investidores também seguiram monitorando as negociações para barrar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, um dia depois de ele ter obtido uma vitória na escolha do relator, o deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).
Na primeira denúncia, Andrada votou no plenário da Câmara contra a autorização para que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgasse a acusação a Temer por corrupção passiva.
"Se o cenário político ajudar, a segunda denúncia for arquivada e a economia continuar a dar sinais positivos, penso que o dólar pode se manter no intervalo atual", projetou Tavares, referindo-se ao patamar entre R$ 3,10 e R$ 3,20.
O Banco Central concluiu na véspera a rolagem parcial do vencimento de US$ 9,975 bilhões em swap cambial tradicional — equivalente à venda futura de dólares —, com a venda de 6 bilhões de dólares, e não anunciou nenhuma atuação para esta sexta-feira, por ora.
O próximo vencimento de swap cambial tradicional só acontece em janeiro, com US$ 9,137 bilhões. A ausência de leilões de swap para rolagem em outubro pode contribuir para a moeda operar mais "livremente".
"O viés é de baixa para a moeda. Sem intervenções e todo o resto permanecendo mais ou menos estável, é possível ver o dólar se encaminhar para baixo de R$ 3,10 até o final do ano", previu gerente da mesa de câmbio do banco Ourinvest, Bruno Foresti, ao lembrar que novos leilões de petróleo do pré-sal devem atrair recursos estrangeiros ao País. A nova rodada de leilões está marcada para 27 de outubro.















