Dólar cai cerca de 1% ante real por aposta em manutenção de juros nos EUA
Às 10h33, o dólar recuava 0,76%, a R$ 3,8641 na venda
Economia|Do R7

O dólar recuava cerca de 1% sobre o real nesta quarta-feira (14), acompanhando a queda da moeda nos mercados externos diante da percepção de que o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) pode elevar os juros somente em 2016 em meio a uma rodada de dados fracos nos Estados Unidos e na China, favorecendo mercados emergentes.
No entanto, investidores continuavam com um pé atrás e operadores afirmavam que qualquer susto pode levá-los a correr para a segurança do dólar e voltar a elevar a cotação, em meio ao cenário político conturbado no Brasil.
Às 10h33, o dólar recuava 0,76%, a R$ 3,8641 na venda, após marcar na véspera a maior alta em mais de quatro anos. Na mínima desta sessão, chegou a cair a R$ 3,8436.
"Julgando por toda a comunicação do Fed e por todos os fundamentos, não vejo nenhum motivo para ter pressa para subir juros. Não ficaria surpreso se a alta viesse só na metade do ano que vem", disse o tesoureiro de um banco nacional.
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Dados fracos sobre a inflação na China alimentaram apostas de que a desaceleração da segunda maior economia do mundo esteja respingando sobre os EUA, o que daria argumentos para o Fed manter os juros quase zerados até o ano que vem.
Além disso, dados nos EUA também corroboraram essa visão. Os preços ao produtor nos país recuaram 0,5% em setembro, queda bem maior do que a baixa de 0,2% projetada por analistas em pesquisa da Reuters. Já as vendas no varejo subiram 0,1% no período, contra expectativas de alta de 0,2%.
A possibilidade de o Fed não elevar juros neste ano sustenta a atratividade de ativos de países emergentes, que oferecem rendimentos maiores. Nesse contexto, a divisa dos EUA perdia terreno em relação a moedas como os pesos chileno e mexicano.
No entanto, operadores não descartavam a possibilidade de o real voltar a ser pressionado por preocupações locais. A pesada incerteza sobre eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff vem assustando investidores, após a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de barrar temporariamente o rito desenhado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
"Todo este quadro de indefinição da cena política, que prejudica e posterga cada vez mais o ajuste fiscal e a retomada do crescimento do Brasil, leva o investidor para um cenário de aversão ao risco e a procura por segurança no dólar", escreveu o operador da corretora Correparti Jefferson Luiz Rugik em nota a clientes.
Nesta manhã, o Banco Central dará continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em novembro, com oferta de até 10.275 contratos, que equivalem a venda futura de dólares.













