Dólar cai e fecha a quarta-feira negociado a R$ 3,73
Recuo de 0,5% da moeda norte-americana foi guiado pelo revés do presidente dos EUA, Donald Trump, nas eleições legislativas do país
Economia|Do R7

O dólar terminou a quarta-feira (7) em queda de 0,5% ante o real, vendido a R$ 3,7395. Ao longo do dia, a moeda variou entre R$ 3,7227 e R$ 3,7886.
A queda da moeda norte-americana foi influenciada pelo mercado externo após o partido Democrata ter conquistado o controle da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, o que pode dificultar medidas de estímulo do presidente Donald Trump.
"Com o Congresso dividido, Trump e o Senado republicano não serão capazes de fazer maiores mudanças legislativas sem aprovação dos Democratas. Isso significa que as esperanças dos Republicanos de uma segunda rodada de corte de impostos provavelmente morreram na água", disse o economista da empresa de pesquisas macroeconômicas Capital Economics, Andrew Hunter.
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Desta forma, a oposição terá a habilidade de investigar as declarações fiscais de Trump, possíveis conflitos empresariais de interesse e alegações envolvendo a campanha do presidente em 2016 e a Rússia.
Os deputados também poderão impedir Trump de construir um muro na fronteira com o México, de aprovar um segundo grande pacote de cortes fiscais e de aplicar mudanças nas políticas comerciais.
Sem novos cortes de impostos, é provável que o Federal Reserve, banco cental dos EUA, tenha menos trabalho para conter a trajetória de alta da inflação, o que pode esvaziar as apostas sobre aumento de juros.
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O Fed anuncia na quinta-feira sua decisão sobre a política monetária, mas a expectativa é de que um novo aumento só ocorra em dezembro. O Fed já elevou os juros três vezes neste ano e outras cinco altas são esperadas até o início de 2020.
"Havia quase certeza sobre essas três altas de juros [esperadas para 2019], agora pode ser menos do que isso", comentou a economista da Spinelli Camila de Caso, ao lembrar que o aumento do juro em dezembro está precificado com chances elevadas de acontecer.
O dólar tinha queda ante a cesta de moedas e também recuava ante as divisas de países emergentes como o peso chileno e o rand sul-africano.
Indefinição
Depois da manhã em queda ante o real, o dólar passou a subir com fluxo de saída e também desconforto dos agentes com o cenário político local, diante da indefinição sobre se Ilan Goldfajn seguirá ou não à frente do BC (Banco Central) e ainda com a notícia de que o Senado se prepara para votar aumento de salário para os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), com efeito cascata para outras categorias e impacto bilionário nas contas públicas.
"O mercado quer traçar cenários, saber logo quem é governo. A ausência de novidades tanto em relação ao comando do BC, como do governo de maneira geral, ajuda o dólar a flutuar para cima", disse a estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Fernanda Consorte.
O presidente eleito Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, está em vias de anunciar a sucessão no BC, sem dizer se Ilan fica ou sai. À tarde, o dólar voltou a colar no mercado externo e voltou à trajetória inicial, de queda, até fechar.
O Banco Central vendeu nesta sessão 13.600 contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 2,72 bilhões do total de US$ 12,217 bilhões que vence em dezembro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.















